Na crise, cresce o número de pessoas que dedicam tempo com tarefas domésticas

A constatação é de pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre formas não remuneradas de trabalho

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18 ABR 2018Por Folhapress10h40
Cresce o número de pessoas que dedicam tempo com tarefas domésticasFoto: Reprodução

Em 2017, aumentou o número de pessoas no país que dedicou parte de seu tempo a afazeres domésticos e ao cuidado de crianças. Mas, embora o crescimento tenha sido maior entre os homens, as mulheres ainda gastam o dobro do tempo com tarefas do lar.

A constatação é de pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) sobre formas não remuneradas de trabalho, divulgada nesta quarta-feira (18), com base em dados da Pnad-C (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua).

De acordo com o instituto, o percentual de brasileiros com mais de 14 anos que informou ter feito tarefas domésticas ou cuidado de outros moradores ou parente na semana da pesquisa subiu 4%, de 82,7% para 86%.

O IBGE não apontou as causas desse crescimento, mas uma das hipóteses é que a crise tenha levado famílias a cortar gastos com empregadas domésticas, babás ou creche. A maior alta se deu entre a população ocupada do país.

"É possível que as pessoas, por conta da crise, tenham que passar a cuidar mais dos filhos do que antes", disse a economista do IBGE Alessandra Brito. Ela frisou, porém, que não é possível confirmar hipótese, já que é a segunda vez que essa é feita pesquisa e não há base de comparação de longo prazo.

Entre 2016 e 2017, houve aumento maior entre os homens (de 74,1% para 78,7%) do que entre as mulheres (90,6% para 92,6%). Mas a diferença permanece grande, principalmente se considerado o número de horas dedicadas às tarefas do lar.

As mulheres disseram ter dedicado 20,9 horas em afazeres domésticos ou cuidados com pessoas, contra apenas 10,8 horas gastas homens. Mesmo as que trabalham gastaram muito mais tempo: 18,1 horas contra 12 horas dos homens não ocupados.

"Os homens fazem mais do que em anos anteriores, mas as mulheres continuam dedicando muito mais horas", disse a economista do IBGE.

Somando a média de horas trabalhadas fora de casa e em tarefas do lar, as mulheres trabalharam três horas a mais do que os homens na semana da pesquisa (53,2 contra 50,2).

O crescimento da participação masculina em atividades do lar se deu principalmente na realização de afazeres domésticas, já que no indicador de cuidados com outros moradores a participação masculina ficou estável.

A taxa de realização de afazeres domésticos cresceu de 81,2% para 84,4%. Entre os homens, 76,4% disseram ter realizado alguma tarefa, alta de 6,2%. Entre as mulheres, o aumento foi de 2,1%, para 91,7%.

De acordo com o IBGE, os homens tem participação mais efetiva em tarefas como pequenos reparos e manutenção, organização do domicílio, cuidado com animais e fazer compras. A preparação de alimentos (95,6% das mulheres e 59,8% dos homens) e as atividades de limpeza (90,7% contra 56%) continuam sendo atividades majoritariamente femininas. 

CUIDADOS

De acordo com o instituto, cresceu de 26,9% para 31,5% o número de brasileiros que dedicam parte de seu tempo a cuidar de outros moradores no domicílio ou de parentes não moradores, um aumento de 8,3 milhões de pessoas.

Os dados indicam que o aumento ocorreu com maior intensidade entre as pessoas ocupadas (de 28,2% para 33,7%) e no cuidado de crianças e adolescentes entre 6 e 14 anos (de 48,1% para 49,7%).

Entre as atividades, o aumento foi maior em ler, jogar e brincar e monitorar ou fazer companhia dentro de casa, nas quais a diferença entre a participação masculina e feminina é menor (73,3% a 77,3% e 87,3% a 91,4%). 

As mulheres ainda são majoritárias no auxílio aos cuidados pessoais e nas atividades educacionais.