As micro e pequenas empresas geraram 580 mil vagas de emprego em 2018, um aumento de 67% em comparação com a criação de postos de trabalho em 2017. Este é o maior saldo dos últimos quatro anos. O levantamento é do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério da Economia.
Conforme os dados observados, todos os setores registraram aumento de empregos. O setor de Serviços foi o que vai gerou vagas no ano passado, 350,2 mil, o que corresponde a 60% do total gerado no País, seguido dos pequenos negócios do setor de comércio, que criaram 108, 8 mil novos empregos.
No entanto, em dezembro, houve mais demissões do que admissões em todos os estados. A Região Sudeste, que concentra o maior números de empresas, perdeu 73,5 mil vagas, seguida da Região Sul, onde houve 33,7 mil demissões.
Levantamento realizado pelo Sebrae em outubro, com dados do Caged, revelou que 85,8 mil postos de trabalho foram abertos em setembro, 37% a mais frente ao mesmo período do ano passado. Com isso, os pequenos negócios somavam 82% (575 mil postos) das 704 mil novas vagas com carteira assinada de janeiro a setembro de 2018.
O aumento das vagas de trabalho nas micro e pequenas empresas superou o das empresas de médio e grande porte e e a Administração Pública, que geraram, respectivamente, 50,5 mil e 954 postos. Do total de empregos criados durante o mês de setembro no País, os pequenos negócios correspondem a 63%, sendo, portanto, maioria.
O gestor empresarial, especialista em Finanças, Marcelo Rocha, ressalta a importância dos pequenos negócios continuarem em dia com o Fisco e formalizarem os contratos de trabalho de seus funcionários, recolhendo todos os impostos e encargos.
Rocha chama a atenção para os micro e pequenos empresários que acreditam estarem economizando atuando no mercado de forma irregular. “Alguns micro e pequenos empresários fazem o que eu chamo de economia ‘burra’. Que é a economia que você pensa que está fazendo hoje, mas que no futuro pode se transformar em uma grande dívida. Um bom exemplo disso são as contratações de funcionários sem registro pelas empresas tributadas pelo regime Simples Nacional ou MEI. A recomendação é sempre atuar fazendo o que demanda a legislação, emitindo nota fiscal sobre venda ou serviço realizado, contratando funcionários com registro em carteira, dentre outras coisas”, afirmou.
O especialista explicou como o pequeno empresário pode estar em dia com as suas obrigações tributárias e previdenciárias e conseguir tocar o seu negócio. “A grande dica é o controle dos gastos, das compras e dos investimentos. Grande parte dos micro e pequenos empresários acabam confundindo o caixa da empresa com o caixa pessoal e com isso utilizando o dinheiro da empresa para despesas pessoais. Apenas empreendedores que fazem controle, planejam e tem disciplina nas ações conseguem obter êxito nos negócios. Em resumo é isso”.
Quanto à contratação de empregados, Rocha analisa que a reforma trabalhista favoreceu as contratações pelos pequenos e micro empresários. “A nova legislação trabalhista trouxe mais flexibilidade na relação entre patrões e empregados. Nova modalidade de contratação, o contrato intermitente. Mas mesmo com a nova legislação trabalhista, sempre é preciso observar as regras combinadas entre patrões e empregados constantes na convenção coletiva de trabalho. O que lá está descrito, em tese deve ser seguido”, alertou.
“Mas claro, sempre é prudente o empresário estar colhendo orientações junto ao seu contador e corpo jurídico”, complementou.
Rocha analisa o cenário econômico do País e tem boas perspectivas. “A tendência é de crescimento. Se as várias medidas sugeridas pelo novo governo forem colocadas em prática e as reformas previdenciária e tributária saírem no papel, certamente teremos um crescimento acima do que está sendo projetado para 2019 que é em torno de 2,5%.”
