Economia

Mercado Livre avança sobre o varejo físico e fecha acordo histórico com o Assaí para entregas

Mercado Livre e Assaí Atacadista unem forças em parceria inédita que leva o atacarejo para as vendas online com entrega rápida e cashback pelo Mercado Pago em todo o Brasil

Nathalia Alves

Publicado em 12/02/2026 às 13:17

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Assaí aposta no mercado digital para impulsionar vendas sem abrir novas lojas Rede utiliza ecossistema do Mercado Livre para manter preços competitivos online / Reprodução/Imagem feita por IA

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O Assaí Atacadista e o Mercado Livre anunciaram nesta quarta-feira (11) um acordo que promete sacudir o varejo brasileiro. A parceria marca a estreia da rede de atacarejo nas vendas online diretas em escala nacional, rompendo uma barreira logística histórica que até então limitava sua atuação digital a aplicativos de entrega de última milha, como iFood e Rappi.

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Inicialmente, serão cerca de 400 produtos disponíveis, das categorias de mercearia, higiene, limpeza e perfumaria, todos não perecíveis. Itens frescos, como carnes, hortifrúti e frios, continuam restritos às lojas físicas e às parcerias locais de entrega rápida, devido à complexidade de armazenamento e transporte.

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Pelo acordo, o Assaí se torna cliente do serviço de fulfillment e logística do Mercado Livre, o chamado “full commerce”. Isso significa que os produtos serão armazenados e expedidos a partir de três centros de distribuição do Mercado Livre no estado de São Paulo, com promessa de alcance nacional até o fim de 2026.

Sinergia entre gigantes

Para o Mercado Livre, a parceria representa mais um passo na estratégia de incorporar grandes varejistas à sua plataforma, ampliando o sortimento da categoria supermercados, uma das mais disputadas do e-commerce. Em 2025, a empresa já havia fechado acordo semelhante com a Casas Bahia, mirando o setor de eletroeletrônicos.

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Para o Assaí, o movimento é uma resposta a um cenário de desalavancagem financeira e desaceleração na abertura de lojas. A rede, que hoje opera mais de 300 unidades em formato híbrido de atacado e varejo, reduziu o ritmo de expansão física nos últimos anos para conter a dívida líquida. Agora, aposta no digital como alavanca de crescimento com menor necessidade de capital.

“Realizamos muitos cálculos e projeções. Estamos confiantes de que conseguiremos manter nosso nível atual de competitividade mesmo com a taxa que pagaremos ao Mercado Livre”, afirmou Belmiro Gomes, presidente do Assaí, durante coletiva de imprensa. Os valores do contrato, bem como o modelo de compartilhamento de dados, não foram revelados.

Benefícios cruzados e cashback

Segundo Fernando Yunes, head de commerce do Mercado Livre para a América Latina, a parceria prevê ainda benefícios recíprocos. As lojas do Assaí poderão comprar suprimentos diretamente da plataforma, enquanto clientes do programa de fidelidade MELI+que adquirirem produtos Assaí terão cashback por meio do Mercado Pago, a fintech do grupo.

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O anúncio ocorre no mesmo dia em que o Assaí divulgou seu balanço do quarto trimestre de 2025, com o lucro líquido ajustado de R$ 347 milhões, queda de 26,8% em relação ao mesmo período de 2024.

O domínio silencioso do Mercado Livre

Mais do que uma parceria pontual, o acordo com o Assaí escancara uma realidade cada vez mais consolidada: o Mercado Livre não é apenas uma plataforma de vendas, mas o próprio sistema circulatório do e-commerce brasileiro.

A empresa deve movimentar R$ 183 bilhões em vendas no Brasil em 2025, o equivalente a 45% de todo o comércio eletrônico nacional, estimado em R$ 414 bilhões. Há cinco anos, essa fatia era de 25%. Em meia década, o Mercado Livre dobrou sua participação em um dos mercados mais competitivos do mundo.

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Esse avanço não é fruto do acaso, mas de um ecossistema integrado que combina:

  • Logística própria: 23 centros de distribuição no país e capacidade de entrega em 24 horas para mais de 2 mil cidades;
  • Fintech embutida: o Mercado Pago soma mais de 50 milhões de usuários ativos, oferecendo crédito, carteira digital e investimentos;
  • Inteligência de dados: cada compra alimenta um ciclo virtuoso de recomendação, crédito e fidelização.

Enquanto concorrentes como Amazon patinam para ganhar escala no Brasil e Shopee recua com o fim de subsídios fiscais, o Mercado Livre cresce com rentabilidade, algo raro no varejo digital global. Apenas Amazon e Alibaba, em contextos distintos, alcançaram feito semelhante.

Se o primeiro tempo do e-commerce brasileiro teve um placar acirrado, o segundo começa com vantagem avassaladora do Mercado Livre. E, ao que tudo indica, o craque do jogo não está nem perto de ser substituído.

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