Informe demonstra menor crescimento econômico dos últimos 70 anos na América Latina e Caribe

Projeção da Cepal para o Brasil é de crescimento de 1% em 2019 e 1,7% em 2020

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12 DEZ 2019Por Agência Brasil17h23
Economistas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) realizam encontros periódicos com liderançasFoto: Roberto Stuckert Filho/PR

A América Latina e o Caribe apresentaram desaceleração econômica generalizada e sincronizada, tanto em uma análise dos países como de setores produtivos. O novo informe da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) aponta para o pior crescimento da região, nas últimas sete décadas. Para 2019, o crescimento deve ficar em 0,1%. Para 2020, a projeção é de 1,3% de crescimento. A projeção da Cepal para o Brasil é de crescimento de 1% em 2019 e 1,7% em 2020.

Os dados da comissão mostram que, a partir de 2014, consolidou-se uma trajetória de baixo crescimento que perdura até o momento. Entre os 33 países da região, a expectativa é de que 23 (18 de 20 na América Latina) apresentarão desaceleração de seu crescimento durante este ano, enquanto 14 países registrarão crescimento de menos de 1%.

O balanço mostra que, em 2019, o país com maior crescimento será Dominica (9%), seguido por Antígua e Barbuda (6,2%), República Dominicana (4,8%) e Guiana (4,5%). Por outro lado, a Venezuela registrará o maior declínio, com uma contração de -25,5%, seguida pela Nicarágua (-5,3%), Argentina (-3,0%) e Haiti (-0,7%). A América Central crescerá 2,4%; o Caribe 1,4% e a América do Sul se contrairá -0,1%.

A divulgação do novo estudo, intitulado Balanço Preliminar das Economias da América Latina e Caribe 2019, ocorreu hoje (12), em Santiago do Chile. Alícia Bárcena, secretária-executiva do organismo, reforçou a importância do papel do Estado na recuperação do crescimento regional.

"O papel do Estado é fundamental. Necessitamos que os países revisem suas políticas. O mercado não resolverá tudo sozinho. Devemos priorizar políticas de desenvolvimento sustentável. Estamos em um péssimo momento, o pior dos últimos 70 anos, e temos que resolver crescimento, desigualdade e sustentabilidade ambiental", afirmou Alícia, durante divulgação do informe.

Ela apontou três sinais importantes de estancamento e incertezas para o crescimento da região. Em primeiro lugar, em 2019, a economia mundial cresceu em sua menor taxa desde a crise financeira global e, para 2020, não se esperam melhoras significativas. Em segundo lugar, o comércio mundial se mostra cada vez mais frágil em meio às tensões comerciais. A economia da China e dos Estados Unidos, os dois principais parceiros comerciais da região, também desacelerou. E, em terceiro, se acentuam vulnerabilidades financeiras. A esse contexto ainda se somam crescentes e urgentes demandas sociais e pressões para aumentar a inclusão social, tanto em ingressos como em bens públicos.

"A região não aguenta uma política de reajustes e requer políticas para estimular o crescimento e reduzir a desigualdade. A desigualdade é ineficiente e atenta contra o crescimento, está no coração do descontentamento social pela piora do emprego, por insuficientes ingressos, pela debilidade na provisão de bens públicos e pela baixa proteção social", afirmou Alícia.

O relatório traz ainda sinais de alerta para a região. Em 2019, registrou-se o sexto ano de baixo crescimento na região, situação que se manterá em 2020. Além disso, o PIB per capita diminui 4% entre 2014 e 2019. Há um menor volume de comércio. Consumo e investimento desaceleram ou se contraem. Há uma baixa contribuição do gasto público ao crescimento e se reduz o crédito interno.

DESEMPREGO.
A América Latina e o Caribe registraram este ano um milhão a mais de desocupados e chegaram a um novo recorde: 25,2 milhões de pessoas sem emprego. A taxa de desocupação aumentou de 8% para 8,2%. Além disso, registrou-se uma piora na qualidade dos empregos na maioria dos países e um aumento no trabalho informal (3%) que representa o dobro da alta do emprego formal (1,5%).

Em 9 dos 12 países para os quais existe informação disponível, o emprego no setor da agricultura diminuiu, as únicas exceções são o Brasil (com um leve aumento de 0,3%), Equador e Peru.

Para a Cepal, é necessário que a região tenha estímulos fiscais (e não reajustes fiscais) acompanhados de políticas de sustentabilidade fiscal para diminuir a capacidade ociosa. Estímulos centrados em aumentos da carga tributária, maior progressividade em estrutura tributária e reformas nos sistemas de proteção social.

Segundo o relatório, apesar das dificuldades e limitações atualmente enfrentadas, ao contrário de anos anteriores, a maioria dos países da região está com índices de inflação em níveis historicamente baixos (2,6% a média regional, sem considerar Venezuela, Argentina e Haiti). Além disso, contam com reservas internacionais relativamente altas e, em geral, as economias mantêm acesso aos mercados financeiros internacionais. Para a Cepal, essas condições favorecem a capacidade de implementar políticas macroeconômicas destinadas a reverter o atual cenário de baixo crescimento.