Inflação do gás passa de 20% em 12 meses e pressiona famílias e comerciantes

O preço do gás depende de fatores como a cotação internacional do petróleo, os juros federais e estaduais e o lucro das distribuidoras

Auxílio Gás

Auxílio Gás | Nair Bueno/ DL

A alta do gás de cozinha já passa do dobro da inflação geral e lidera a lista de despesas com habitação nos últimos 12 meses. O gás encanado subiu 26,29%, e o gás de botijão, 21,82%. A inflação do período foi de 10,07%.

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O preço do gás depende de fatores como a cotação internacional do petróleo, os juros federais e estaduais e o lucro das distribuidoras. Segundo Carla Beni Menezes de Aguiar, professora de economia dos MBAs da FGV (Fundação Getulio Vargas), o fator mais importante para a inflação do gás de cozinha foi o preço internacional.

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Apesar da maior parte do gás consumido no Brasil ser produzido pela Petrobras, o governo brasileiro adota a política de paridade de importação para todos os combustíveis. A partir dessa política, o preço dos combustíveis no Brasil, inclusive do gás, passa a acompanhar o valor internacional do petróleo.

Segundo Sergio Bandeira de Mello, presidente do Sindigás (Sindicato das Empresas Distribuidoras de GLP), o preço dos outros combustíveis também impacta no gás, por causa dos gastos com distribuição. Nos últimos 12 meses, a gasolina teve aumento acumulado de 5,64%, e o óleo diesel, de 61,98%.

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Os consumidores sentiram o impacto desses aumentos. Luiz Antônio Ramos, 56, é dono de uma lanchonete em Pirassununga, interior de São Paulo. Ele consome cerca de 12 botijões de gás por mês e diz que, desde o início de 2021, o gasto quase dobrou.

Em outubro do ano passado ele virou o mês com saldo negativo e precisou repassar o aumento da alta do gás para os clientes.

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Maria Lenice, 42, dona de um delivery de marmitas em Leme, interior de São Paulo, também teve que fazer adaptações nos negócios. Ela disse que não não repassou o preço para as quentinhas para não perder clientes, mas a margem de lucros diminuiu bastante.

Como segurou os preços, o número de clientes até aumentou, mas eles precisaram deixar de vender marmitas à noite, quando a demanda é menor.

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Os comerciantes também observaram a influência do preço do gás nos gastos domésticos. A saída encontrada por Luiz foi procurar promoções no supermercado para equilibrar o orçamento. “Se você conseguir economizar R$ 60 em uma compra isso já ajuda a cobrir o aumento do gás.”

Segundo a economista da FGV, é difícil precisar o que acontecerá nos próximos meses. O cenário internacional é de deflação e se essa tendência permanecer, o preço do gás no Brasil também tende a diminuir.

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Ela diz que, no cenário nacional, não há muito o que possa ser feito a curto prazo. Nos últimos meses, tanto o governo federal quanto os governos estaduais anunciaram redução das alíquotas do ICMS para combustíveis, mas o início do período eleitoral impede novas reduções.

COZINHAR COM FRITADEIRA TIPO AIR FRYER OU COM FOGÃO A GÁS?

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Apesar do aumento do preço do gás e da redução da energia elétrica, dados do Sindigás apontam que o fogão ainda é mais econômico que utensílios elétricos. Segundo o sindicato, mesmo nos horários em que o preço da energia elétrica é menor, substituir o fogão a gás pela fritadeira tipo Air Fryer pode ser 79% mais caro para cozinhar arroz. Nos horários de pico essa diferença pode ser de mais de 300%.

Aguiar dá dicas de como economizar utilizando o fogão a gás:

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– Dê preferência para a panela de pressão, que cozinha os alimentos mais rapidamente do que a panela convencional
– Quando utilizar o forno, evite abrir a porta para conferir o alimento
– Planeje as refeições –cozinhar apenas uma vez para alguns dias pode reduzir consideravelmente o gasto com gás
– Mantenha o fogão limpo: quando as bocas do aparelho estão entupidas ou engorduradas, o tempo necessário para cozinhar o alimento aumenta e isso pode interferir nas despesas com gás – chamas amarelas ou alaranjadas podem indicar que seu fogão está precisando de manutenção

IMPACTO NO BOLSO DOS MAIS POBRES

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Para a economista, os pobres são os mais afetados por esse aumento. Em alguns estados, o valor do botijão de gás equivale a 10% do salário mínimo, o maior percentual desde 2007, afirma.

Um estudo divulgado pelo jornal Folha de S.Paulo em abril mostrou que o gás consome até 22% do orçamento de serviços básicos dos mais pobres, enquanto para os mais ricos, esse valor é de 13%.

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Desde o início do ano, o governo paga o Vale Gás para famílias mais pobres. Em agosto, o valor é de R$ 110.

Podem receber o Vale Gás famílias:

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– Beneficiárias do Auxílio Brasil ou do BPC (Benefício de Prestação Continuada) que tenham os dados atualizados no CadÚnico
– Famílias com renda mensal por pessoa da família menor ou igual a meio salário mínimo, R$ 606 neste ano
– Mulheres chefes de família ou que foram vítimas de violência doméstica têm prioridade para receber o auxílio