Fornecimento de ureia pelo Irã e alta dos combustíveis preocupam produtores após retaliações na região / Reprodução/Freepik
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A intensificação das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos acendeu o sinal de alerta para o agronegócio brasileiro. O setor de proteína animal, especialmente o de carne de frango, observa com apreensão os desdobramentos após a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
O evento, seguido por uma onda de retaliações na região, cria um cenário de incertezas que pode comprometer o fluxo de exportações para um dos mercados mais estratégicos do Brasil.
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De acordo com dados recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Oriente Médio é um parceiro vital para a balança comercial do agro. O milho lidera a exportação, seguido de perto pelo açúcar.
Em terceiro lugar, destaca-se a carne de aves, que responde por 14,5% das vendas totais para a região. Somente em janeiro de 2026, o Brasil embarcou 459 mil toneladas de frango, um crescimento de 3,6% em relação ao ano anterior, consolidando os Emirados Árabes Unidos como o principal destino do produto.
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Embora a demanda por alimentos tenda a ser resiliente mesmo em períodos de guerra, a grande preocupação do setor produtivo não é o consumo, mas sim a logística. O acirramento do conflito coloca em xeque rotas marítimas cruciais:
Estreito de Ormuz e Mar Vermelho: Passagens obrigatórias que, se bloqueadas ou sob risco de ataques, provocam uma disparada imediata nos custos de frete e seguros internacionais (war risk surcharges).
Canal de Suez: Um eventual fechamento ou redução de fluxo obrigaria os navios a contornar o continente africano, adicionando semanas ao tempo de viagem e encarecendo drasticamente a operação.
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A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que monitora a situação em tempo real. A entidade avalia rotas alternativas e planos de contingência para evitar desabastecimento ou prejuízos financeiros aos produtores brasileiros, que já lidam com margens apertadas.
A crise geopolítica tem o potencial de gerar um efeito dominó na economia brasileira. A pressão sobre o preço do barril de petróleo impacta diretamente o valor do diesel, encarecendo o transporte das cargas do interior do Brasil até os portos.
Além disso, há o risco na importação de insumos. O Irã é um fornecedor relevante de ureia para o Brasil, componente essencial para a fabricação de fertilizantes. Uma interrupção nesse fornecimento poderia elevar os custos de produção da próxima safra, pressionando a inflação de alimentos internamente.
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O milho, item número um na lista de exportações para a região, também está na linha de frente dos riscos. Em 2025, o Irã consolidou-se como o maior comprador do cereal brasileiro. Agora, o setor enfrenta a volatilidade do dólar, que costuma subir em momentos de aversão ao risco global, e a complexidade de operar em portos sob ameaça.
Especialistas do setor avaliam que, embora o Brasil possua o status de "porto seguro" sanitário e político, o desafio em 2026 será manter a competitividade. Com custos logísticos em ascensão e um cenário geopolítico instável, o agro brasileiro precisará de diplomacia comercial e agilidade logística para navegar em águas turbulentas.