Dólar mais baixo ajudou IPP a desacelerar em setembro

"Assim como a desvalorização do real fez com que o IPP tivesse as taxas aumentadas, a valorização do real permitiu o recuo do IPP", disse o gerente da pesquisa do IBGE

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30 OUT 201311h49

 A valorização do real no mês de setembro permitiu o recuo da taxa do Índice de Preços ao Produtor (IPP). No mês passado, o indicador subiu 0,62%, ante alta de 1,43% em agosto. "Assim como a desvalorização do real fez com que o IPP tivesse as taxas aumentadas, a valorização do real permitiu o recuo do IPP", disse o gerente da pesquisa, Alexandre Brandão, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Brandão, setores diretamente ligados ao câmbio tiveram o primeiro recuo no ano em setembro. É o caso do fumo, cujos preços caíram 2,23% em setembro, e de papel e celulose, que teve queda de 2,09%. Na época da grande valorização do dólar, o IPP saiu de alta de 0,24% em maio para alta de 1,32% em junho. O ritmo de alta teve sequência em junho, com taxa de 1,21%.

Alimentos

O setor de alimentos, maior influência individual na alta, ainda que menor, do IPP, em setembro, foi impulsionado pela demanda por soja, em função do choque de oferta no mercado internacional, e pelo preço do trigo. Ainda que o dólar tenha se desvalorizado ante o real, o trigo deu continuidade à escalada de preços devido à colheita menor do que a esperada no Brasil, além da pior qualidade.

As carnes e as miudezas de aves (frescas ou refrigeradas) também deram sua contribuição para que o setor de alimentos obtivesse destaque. "Por causa de baixos preços em meses anteriores, houve queda na oferta do produto e sua subsequente elevação de preços", informou o IBGE.

O setor de alimentos, maior influência individual na alta, ainda que menor, do IPP, em setembro, foi impulsionado pela demanda por soja, em função do choque de oferta no mercado internacional (Foto: Divulgação)

O grupo de alimentos teve alta de 1,58% em setembro e contribuiu com 0,32 ponto porcentual, mais da metade do IPP do mês passado, que foi de 0,62%. Na sequência, as bebidas, que tiveram a maior variação (3,61%), foram impactadas pelo ajuste de preços da cerveja, repetindo o que se viu em setembro de 2012. "Isso dá indicações de uma mudanças de política de preços do setor, que adianta os aumentos para setembro quando antes eles eram feitos em novembro ou dezembro", disse o IBGE.