Comprar imóvel pode custar até 18 vezes mais caro só pela escritura, revela estudo

A análise foi feita em outubro de 2024 pelos pesquisadores Luciano Timm, professor de direito da FGV, e Thomas Conti, economista e professor do Insper

A conclusão é que quanto mais pobre o estado, mais alto tende a ser o valor cobrado pelos cartórios, reflexo da baixa concorrência e do poder de mercado dessas instituições

A conclusão é que quanto mais pobre o estado, mais alto tende a ser o valor cobrado pelos cartórios, reflexo da baixa concorrência e do poder de mercado dessas instituições | Freepik

Um levantamento jurídico-econômico mostrou que o custo de uma escritura pública no Brasil pode variar até 1.800% conforme o estado. A análise foi feita em outubro de 2024 pelos pesquisadores Luciano Timm, professor de direito da FGV, e Thomas Conti, economista e professor do Insper.

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Diferenças gritantes

Tomando como base o valor médio de imóveis novos no Brasil, R$ 310 mil, registrado pela Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), os especialistas encontraram disparidades expressivas:

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Rio Grande do Norte: escritura custava R$ 440.

Acre: preço chegava a R$ 8.600.

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A conclusão é que quanto mais pobre o estado, mais alto tende a ser o valor cobrado pelos cartórios, reflexo da baixa concorrência e do poder de mercado dessas instituições.

‘A hipótese principal é o poder de mercado: não tem muita concorrência entre cartórios nesses estados, e eles conseguem impor taxas mais altas’, afirma Conti.

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Decisão do CNJ favorecia cartórios

O parecer surgiu após uma mudança na interpretação da lei pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2024. Os providos 172 e 175 obrigavam que compradores, vendedores e construtoras passassem a emitir escritura pública em transações imobiliárias antes, o contrato privado, registrado em cartório, era suficiente.

Na prática, isso ampliaria a cobrança de taxas, já que a escritura pública encarece o processo e varia conforme o valor do imóvel. Apenas agentes financeiros, como bancos, ficariam dispensados.

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Após críticas, o corregedor de Justiça, ministro Mauro Campbell, suspendeu a determinação por tempo indeterminado.

Insegurança jurídica não justificava a mudança

Os pesquisadores analisaram processos no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para verificar se a ausência da escritura pública estaria gerando disputas. Concluíram que havia poucos casos relacionados e que, mesmo neles, a escritura não teria evitado judicialização.

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‘É realmente estranho [passar a cobrar a escritura pública]. Não havia judicialização significativa no sistema anterior que justificasse mudar’, reforça Conti.

Impacto

Se confirmada, a mudança poderia gerar uma nova e constante fonte de renda para os cartórios, aumentando significativamente os custos de quem compra imóveis no país, em especial em estados com tarifas mais elevadas.

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Principais tópicos

Levantamento jurídico-econômico (out/2024)

Autores: Luciano Timm (FGV) e Thomas Conti (Insper).

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Constatou variação de até 1.800% no custo de escritura pública no Brasil.

Exemplos de discrepância

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Imóvel de R$ 310 mil (valor médio segundo Abrainc).

Rio Grande do Norte: escritura custava R$ 440.

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Acre: valor chegava a R$ 8.600.

Conclusão: estados mais pobres cobram mais caro devido à baixa concorrência cartorial.

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Mudança no CNJ (2024)

Providos 172 e 175 obrigavam escritura pública em negociações imobiliárias.

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Antes, contrato privado registrado era suficiente.

Apenas bancos seriam dispensados da exigência.

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Regra foi suspensa por decisão do ministro Mauro Campbell (corregedor de Justiça).

Análise de judicialização

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Estudo de processos no STJ mostrou poucos casos relacionados.

Escritura pública não teria evitado judicialização existente.

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Pesquisadores questionam a real necessidade da mudança.

Impacto potencial

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Consolidação da regra criaria nova fonte de renda para cartórios.

Encargos poderiam encarecer ainda mais a compra de imóveis, sobretudo em estados com tarifas elevadas.