A declaração do Imposto de Renda em 2026 traz um ponto de atenção que ainda gera dúvidas: como declarar ganhos e perdas com apostas. A atividade, que cresceu nos últimos anos com a digitalização das plataformas, passou a ser acompanhada mais de perto pela Receita Federal do Brasil — e isso exige cuidado redobrado por parte dos contribuintes.
Pela legislação brasileira, toda movimentação com apostas deve ser informada na Declaração de Ajuste Anual. Isso inclui tanto os ganhos quanto as perdas registradas ao longo do ano-calendário de 2025.
Na prática, isso significa que não apenas quem teve lucro precisa prestar contas. Mesmo quem acumulou prejuízos deve declarar os valores, garantindo transparência e consistência das informações fiscais.
Um dos principais instrumentos criados para organizar essas informações é o chamado “ComprovaBet”, previsto na Instrução Normativa RFB nº 2.299/2025.
Esse relatório deve ser disponibilizado pelas plataformas de apostas e reúne os dados essenciais para a declaração, incluindo o resultado líquido do período (ganhos ou perdas) e os saldos existentes no fim de cada ano.
O documento referente ao exercício de 2026, com base em 2025, deveria ter sido disponibilizado até 27 de fevereiro. Em geral, ele fica disponível na área logada do usuário — mas também pode ser solicitado diretamente às empresas, inclusive em casos de contas inativas.
Com pouco mais de três semanas de prazo já transcorridas, os contribuintes da Baixada Santista enviaram à Receita Federal 150.468 declarações do Imposto de Renda 2026.

Quem aposta em várias plataformas precisa consolidar dados
Um ponto crítico está na consolidação das informações. Cada operador fornece um ComprovaBet separado, o que exige que o contribuinte reúna todos os dados manualmente para apresentar uma visão completa à Receita.
Ignorar essa etapa pode gerar inconsistências na declaração, aumentando o risco de cair na malha fina.
O prazo para envio da declaração do Imposto de Renda 2026 vai até 29 de maio. O descumprimento das regras — seja por omissão de informações ou erros no preenchimento — pode resultar em multa, cobrança de juros e outras penalidades previstas na legislação.
Diante desse cenário, a recomendação é tratar as apostas como qualquer outra fonte de renda ou movimentação financeira relevante, mantendo registros organizados e, se necessário, buscando apoio de um contador ou especialista em direito tributário.
Você sabia? 34% dos jovens brasileiros deixaram o curso superior em segundo plano por conta dos gastos em bets ou “jogos do tigrinho”, de acordo com a Abmes (Associação Brasileira de Mantenedoras do Ensino Superior).
Fiscalização mais rigorosa acompanha crescimento do setor
O avanço das apostas online no Brasil trouxe consigo um aumento na regulação e no controle fiscal. A exigência do ComprovaBet e a obrigatoriedade de declaração refletem esse movimento, indicando que o setor caminha para um ambiente mais estruturado e supervisionado.
Para o contribuinte, isso significa uma mudança de postura: apostar não é apenas uma atividade de lazer, mas também uma operação que pode ter impacto direto na sua vida fiscal.
