Alimentos voltam a dominar lista de maiores pressões no IPC-Fipe

Apesar das seis maiores influências de baixa no IPC ainda serem compostas por alimentos, o coordenador do IPC ressalta que os preços estão perdendo força

Comentar
Compartilhar
25 OUT 201316h37

Os alimentos voltaram a dominar a lista de maiores pressões na inflação na cidade de São Paulo na terceira quadrissemana de outubro (últimos 30 dias terminados na quarta-feira, 23), de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 25, pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). A carne bovina e o tomate foram os itens alimentícios que mais tiveram seus preços elevados no período no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que mede a inflação na capital paulista. O IPC ficou em 0,39% na terceira leitura do mês, ante 0,37% na segunda medição.

Segundo a Fipe, o preço do tomate subiu quase oito pontos porcentuais entre a segunda quadrissemana e a terceira de outubro, ao sair de 3,34% para 11,31%, num sinal de que a sazonalidade favorável dos in natura chegou ao fim. Segundo o coordenador do IPC, Rafael Costa Lima, a alta não deve parar por aí. "O tomate está subindo mais de 11% e nas pesquisas de ponta (mais recentes) a taxa já está positiva em 36%", adiantou.

A carne bovina também está contando com um período desfavorável e os preços deram um salto na passagem da segunda para a terceira leituras de outubro, de 3,53% para 5,04%. A alta mais representativa foi do coxão mole, que subiu 7,42% no período em análise, depois do aumento de 5,13% na segunda medição do mês.

Também aparecem no ranking dos impactos mais representativos no IPC da terceira quadrissemana de outubro, o contrafilé (de 3,59% para 5,59%), carne de frango (de 11,97% para 10,66%) e refeição fora do domicílio (de 1,06% para 0,91%). "Muitos produtos do grupo Alimentação estão subindo, especialmente as carnes", afirmou.

A carne bovina e o tomate foram os itens alimentícios que mais tiveram seus preços elevados no período no âmbito do Índice de Preços ao Consumidor (Foto: Divulgação)

Segundo Costa Lima, o fato de mais itens alimentícios integrarem a lista das maiores pressões no IPC indica que o grupo Alimentação deve continuar se intensificando e fechar o mês de outubro com elevação de 1,18%, após variação de 0,90% na terceira leitura deste mês. "A sazonalidade (desfavorável) de fim de ano está se configurando, com a taxa de Alimentação mais forte. A inflação deve se acelerar, mas não deve ficar fora da normalidade", disse Costa Lima, que manteve a projeção de elevação de 0,46% no IPC de outubro e de 4,30% no fechamento do ano.

"Como o grupo Habitação desacelerou mais que o esperado na terceira leitura, deve equilibrar resultado final, já que Alimentação acelerou um pouco mais", completou. O economista da Fipe previa inflação de 0,24% para Habitação e o grupo ficou com alta de 0,15% na terceira leitura do mês.

Fora do classe de alimentos, os contratos de assistência médica, que subiram 0,71% na terceira quadrissemana de outubro ante 1,30% na segunda, também estão na lista de maiores pressões de alta do IPC. O grupo Saúde, por sua vez, teve inflação de 0,41%, contra 0,65% na segunda medição. "Sinal de normalização", avaliou o economista da Fipe, referindo-se aos aumentos nos últimos meses dos planos de saúde em razão do reajuste autorizado pelo governo.

Alívio

Apesar das seis maiores influências de baixa no IPC ainda serem compostas por alimentos, o coordenador do IPC ressalta que os preços estão perdendo força. "O curioso é que ainda tem bastante alimento caindo, mas o impacto ainda está bem menor", reforçou.

O feijão recuou 9,82% na terceira quadrissemana do mês e deu uma contribuição negativa de 4 pontos porcentuais no IPC. A deflação do produtos, contudo, desacelerou em relação à segunda medição de outubro, quando cedeu 10,49%. O preço da cebola caiu 11,74%, depois de retração de 13,36%. Na lista dos alimentos, ainda estão as frutas de época, que tiveram baixa de 6,70%, ante 5,58% O leite longa vida teve queda de 1,53%, depois de declínio de 1,25% na segunda quadrissemana.

Também ficaram entre as seis influências mais significativas de baixa a energia elétrica (-0,54%) e o televisor (-2,67%).