A coordenadora pedagógica da ong, Rosângela da Cunha, lamenta que hoje a instituição conte somente com dois voluntários. “Hoje nós temos apenas dois voluntários, na Areia Branca e no Marapé. No início da ong nós tínhamos bastante porque a maioria era voluntária. Nós já tivemos mais de 10 a 15 voluntários na ong”, afirma.
No entanto, Rosângela não acredita no desinteresse das pessoas pelo voluntariado, mas na falta de divulgação da própria ong. “O voluntariado cresceu no Brasil, mas eu não sei se é por falta de a gente trabalhar mesmo na questão do voluntariado, correr mais atrás, ou ter uma organização melhor na questão dessas pessoas que vêm trabalhar com a gente como voluntárias”, comenta.

Rosângela diz que este ano a Pró-Viver contou com a parceria da Aiesec, uma organização internacional sem fins lucrativos.
“Eles trabalham com voluntários do mundo inteiro. Esse ano, a gente recebeu voluntários da Colômbia durante um mês. Eles trouxeram assuntos como cidadania, meio ambiente, cultura da paz. Eles fizeram um trabalho intenso com as crianças na unidade do Marapé”, comenta.
“A gente vai retomar com eles o projeto “Cartas da Terra”. O intuito deles é justamente despertar na criança que ela é que escreve a sua história”, afirma.
“A necessidade (de voluntários) é muito grande. Só a unidade do Marapé, que atende mais crianças hoje, tem uma média de 200 crianças inscritas e uma frequência de 60 a 70 crianças à tarde, entre 4 e 14 anos. Então, por exemplo, se eu tenho voluntários para ajudar com brincadeiras, gincanas, atividade de artesanato, isso já ajuda, porque a crianças tem mais coisas para fazer e o professor não fica tão sobrecarregado. Ajuda melhor no trabalho, dá para diversificar a atividade e ajuda a monitoria nos cuidados com as crianças”, afirma Rosângela.
“Se eu tivesse dois voluntários por unidade, uns 10 voluntários já ajudariam”, responde a coordenadora quando perguntada sobre o número ideal. “O voluntariado não é todos os dias, o voluntário vem conforme a disponibilidade que tem”, complementa.
Uma solução encontrada por Rosângela foi convidar universitários para serem voluntários. “Tenho trabalhado bastante junto ao pessoal de faculdade, estudantes de psicologia e pedagogia. Eles fazem os estágios com a gente, e eu já faço o convite para serem nossos voluntários. Isso, inclusive, ajuda na profissionalização deles”, afirma Rosângela.
A coordenadora ressalta a importância dos estudantes de psicologia no trabalho com as crianças. “Eles fazem dinâmicas e conversam com as crianças. A gente sabe que muitas delas têm uma realidade de vida muito difícil, então ajuda bastante”.