Diferença entre humanos e chimpanzés envolve músculos compartilhados nos dedos dos pés e menos controle do córtex motor / Freepik
Continua depois da publicidade
Algumas cenas no zoológico parecem uma aula de anatomia ao vivo. Ao ver um chimpanzé pegar coisas com os pés, muita gente percebe que os dedos dos pés deles funcionam quase como dedos das mãos.
Em Knoxville, um chimpanzé chamado Ripley mostrou essa destreza com facilidade. Ele recolheu o café da manhã do recinto e, em seguida, usou os pés para agarrar mangueiras e segurar brinquedos.
Continua depois da publicidade
O impacto é direto, porque a comparação é inevitável. “Confesso que fiquei com um pouco de inveja.” No entanto, o pé humano foi moldado para outra missão: dar estabilidade ao corpo ereto.
Humanos são primatas e têm parentesco genético próximo com chimpanzés, com quase 98,8% do DNA em comum. Mesmo assim, nossa linhagem se adaptou a caminhar sobre duas pernas ao longo do tempo.
Continua depois da publicidade
Ao adotar a marcha bípede, o pé precisou se tornar uma base firme. Por isso, ele se modificou para sustentar peso, manter equilíbrio e evitar quedas, sobretudo quando o terreno é irregular.
Nesse contexto, controlar cada dedo do pé individualmente deixou de ser prioridade. Assim, a capacidade de “agarrar” perdeu espaço, e a eficiência para caminhar e correr ganhou protagonismo.
Conheça também 5 calçados muito utilizados no Brasil acabam com a saúde dos seus pés.
Continua depois da publicidade
Com os pés ocupados em sustentar o corpo, as mãos ficaram livres para tarefas finas. Assim, o ser humano refinou movimentos para usar ferramentas, escrever, digitar e executar gestos pequenos e controlados.
Essa divisão fez mãos e pés evoluírem com objetivos diferentes. Mesmo com ossos e tendões semelhantes, a função diária moldou a especialização: mãos para precisão, pés para apoio e locomoção.
Por isso, os dedos das mãos ganham independência e controle. Já os dedos dos pés atuam em conjunto para estabilizar o corpo e impulsionar o passo, o que limita movimentos “separados” como os da mão.
Continua depois da publicidade
O pé humano tem 29 músculos que atuam para caminhar e manter equilíbrio. A mão tem 34 músculos, e essa diferença combina com a necessidade de movimentos delicados que a mão executa com frequência.
No pé, muitos músculos permitem apontar os dedos para baixo ou levantá-los, além de rolar levemente para dentro e para fora. Esses ajustes dão segurança na marcha e ajudam a lidar com terrenos irregulares.
Assim, o sistema prioriza estabilidade e deslocamento. Isso ajuda a explicar por que, mesmo tentando, a maioria das pessoas não consegue mover cada dedo do pé com a mesma precisão de um dedo da mão.
Continua depois da publicidade
Veja também que após rejuvenescer ratos e macacos, Harvard mira testes em humanos já no próximo ano.
O dedão do pé é especial porque empurra o corpo para a frente ao caminhar. Por isso, ele tem músculos extras dedicados a esse impulso, o que reforça o papel do dedão na eficiência do passo.
Já os outros quatro dedos não têm músculos próprios individuais. Músculos principais na planta e na panturrilha movem esses dedos ao mesmo tempo, então eles mexem, mas não de forma independente.
Continua depois da publicidade
Além disso, tendões longos da panturrilha se estendem até o pé e funcionam melhor para equilíbrio e marcha do que para movimentos pequenos e precisos. Essa arquitetura favorece estabilidade, não “pinça”.
O córtex motor, área do cérebro que comanda movimentos, dedica muito mais neurônios ao controle dos dedos das mãos do que ao dos pés. Assim, a mão recebe instruções mais detalhadas e específicas.
Como resultado, os dedos das mãos conseguem ajustes minúsculos e rápidos. Já os dedos dos pés recebem menos “poder” de controle fino, porque a prioridade está em padrões de marcha e estabilidade corporal.
Continua depois da publicidade
“Por que as pessoas não conseguem usar os pés assim, agarrando coisas com os dedos dos pés com a mesma rapidez e facilidade com que usamos os dedos das mãos?” Porque o corpo escolheu eficiência na locomoção.