Você já reparou como a maioria das pessoas, quando vai desenhar de forma simples uma casa, faz exatamente o mesmo modelo? Um quadrado, um triângulo no topo (o telhado), uma portinha no meio e uma janelinha ao lado. Talvez até uma chaminé com fumacinha saindo.
Se for uma árvore, é quase sempre um tronco marrom com uma copa verde em forma de nuvem. E falando em nuvem, um rabisco fofo em forma de algodão.
Aproveitando o tema, descubra por que o cérebro pede menos barulho ao estacionar.
Por que será que, mesmo sem combinar, todo mundo desenha as mesmas coisas do mesmo jeito?
Memória simbólica
Quando uma criança começa a desenhar, ela não está tentando representar exatamente o que vê com os olhos, mas sim o que entende como sendo aquilo. Por isso, em vez de uma casa com ângulos reais e proporções arquitetônicas, ela desenha o símbolo da casa.
É como se o cérebro dissesse: “isso aqui é o conceito de casa”. E essa representação simbólica se forma cedo, muitas vezes por meio de livros infantis, desenhos animados, materiais escolares e, claro, os próprios desenhos que vemos outras pessoas fazendo.
Cultura visual coletiva
Esses símbolos visuais são passados de geração em geração como um “acordo visual” não verbal. Eles aparecem em cadernos, jogos, ilustrações e até placas de trânsito.
A repetição constante cria um padrão: aprendemos a representar as coisas como nos ensinaram a ver, mesmo que de forma simplificada e caricata.
Na prática: não desenhamos árvores reais, mas sim a “ideia de árvore” que ficou no nosso imaginário desde a infância.
Por que quase ninguém desenha um prédio ou um coqueiro, por exemplo?
Porque o cérebro busca formas simples e familiares quando vai representar algo de forma rápida. A casa com telhado triangular simboliza “lar”, mesmo que você nunca tenha morado em uma assim. Um prédio é mais complexo, difícil de desenhar e não tem o mesmo peso simbólico.
Esse “atalho visual” também acontece com o sol, os passarinhos em formato de “V” no céu e as flores de cinco pétalas, estilo margarida.
Isso muda com o tempo?
Pessoas que têm contato com outras formas de arte, arquitetura, estilos visuais ou culturas diferentes desenham coisas diferentes. Crianças que vivem em cidades grandes e têm referências visuais diversas podem variar mais nos traços, mas ainda assim, os “clássicos” se mantêm.
