A violência contra a mulher é uma realidade presente em todas as classes sociais e faixas etárias. Muitas vezes, o abuso começa de forma sutil, com sinais emocionais e comportamentais que passam despercebidos até que a situação se agrave.
Na última semana, mais uma caso triste aconteceu no Litoral de São Paulo. Amanda Fernandes, mãe de três filhos e diretora executiva, foi assassinada a tiro e facadas dentro de uma clínica de estética em Santos. O autor do crime é seu próprio marido, sargento da Polícia Militar. A filha do casal, uma modelo mirim de 10 anos, também ficou ferida durante o ataque.
No enterro da mãe, o filho mais velho fez um apelo para que mulheres que sofrem violência busquem ajuda antes que seja tarde. Em Santos, mulheres vítimas de violência contam com uma rede estruturada de apoio, que oferece desde canais de denúncia até acolhimento psicológico, jurídico e social.
O ciclo da violência: entenda como funciona
Muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos devido ao medo, vergonha, dependência financeira ou emocional, além da falta de apoio. Esse cenário é descrito como o ciclo da violência doméstica, que costuma ocorrer em três fases:
- Aumento da tensão: com ameaças, xingamentos e destruição de objetos.
- Explosão da violência: com agressões físicas e verbais mais intensas.
- Lua de mel: o agressor se mostra arrependido, carinhoso e promete mudar, reiniciando o ciclo.
Tipos e sinais de violência contra a mulher
Nem toda agressão é visível. A violência contra a mulher pode assumir diversas formas:
- Física: empurrões, tapas, socos, chutes, estrangulamento.
- Sexual: relações forçadas, mesmo com o parceiro.
- Psicológica: humilhações, isolamento, ameaças, chantagens.
- Patrimonial: controle de bens, destruição ou retenção de dinheiro.
- Moral: calúnia, difamação, injúria.
- Institucional: negligência por parte de órgãos públicos.
- Discriminatória: baseada em raça, orientação sexual ou identidade de gênero.
Como denunciar violência doméstica em Santos
Denunciar é o primeiro passo para romper o ciclo de violência. Em Santos, as vítimas podem procurar os seguintes canais:
- Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) – Rua Assis Corrêa, 50, Gonzaga. Telefone: (13) 3223-9670.
- Delegacia mais próxima – qualquer delegacia está apta a registrar o boletim de ocorrência.
- Central de Atendimento à Mulher – Disque 180 (ligação gratuita).
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil – delegaciaeletronica.policiacivil.sp.gov.br.
- WhatsApp do Ministério da Justiça – (61) 9610-0180.
Apoio jurídico gratuito em Santos
Mulheres que necessitam de orientação jurídica podem buscar:
- Coordenadoria de Assistência Judiciária Gratuita (Cadoj) – Rua General Câmara, 5, 14º andar, Centro Histórico. Telefone: (13) 3201-5632.
- Defensoria Pública do Estado – Rua João Pessoa, 241, Centro Histórico. Telefone: (13) 2102-2450.
Onde buscar atendimento em casos de abuso sexual
Vítimas de violência sexual devem procurar atendimento médico nas primeiras 72 horas após o ocorrido. Em Santos, o atendimento é realizado nas seguintes Unidades de Pronto Atendimento (UPAs):
- UPA Central – Rua Joaquim Távora, 260 – Vila Belmiro
- UPA Zona Noroeste – Avenida Jovino de Melo, 919 – Areia Branca
- UPA Zona Leste – Praça Visconde de Ouro Preto, s/n – Estuário
Se o período de 72 horas já tiver passado, o atendimento deve ser feito no PAIVAS (Programa de Atenção Integral às Vítimas de Violência Sexual) – Avenida Conselheiro Nébias, 267, 1º andar. Contatos: (13) 99743-7928 / (13) 3235-6466 | E-mail: [email protected]
Serviços de acolhimento e assistência social em Santos
A cidade oferece diversos equipamentos de suporte para mulheres em situação de violência:
CREAS e CRAS
Unidades que prestam atendimento psicossocial e orientações para vítimas. Os endereços podem ser consultados neste link.
Casa das Anas
Espaço de acolhimento temporário para mulheres e seus filhos em situação de risco social. Oferece suporte psicológico, social e encaminhamento para capacitação profissional.
Casa Abrigo Sigiloso e Casa de Passagem
Estruturas que garantem proteção integral a mulheres que precisam sair de casa imediatamente. O acesso é feito via serviços da assistência social, como CREAS e Centro POP.
Avanços no enfrentamento à violência doméstica
Desde 2023, Santos conta com a primeira Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Baixada Santista. A iniciativa fortalece o cumprimento da Lei Maria da Penha, garantindo atendimento humanizado e especializado durante todo o processo judicial.
Programa Guardiã Maria da Penha
Através desse programa, a Guarda Civil Municipal realiza visitas periódicas às vítimas, checando o cumprimento de medidas protetivas e orientando sobre os serviços disponíveis. O programa funciona na Casa da Mulher (Av. Rangel Pestana, 150), que também oferece escuta ativa, acolhimento e:
Atendimento jurídico gratuito pela Cadoj
Segundas-feiras, das 9h às 13h
Quartas-feiras, das 13h às 17h
É necessário levar RG, CPF, comprovante de residência, renda familiar e documentos relacionados à ocorrência.
Violência contra a mulher não é culpa da vítima
Independentemente do tempo de relacionamento ou dos sentimentos envolvidos, a vítima nunca é culpada pela violência que sofre. Procurar ajuda é um ato de coragem, e não há vergonha em romper com o ciclo de dor. Em Santos, há uma rede pronta para apoiar, acolher e garantir um novo começo.
