Estudo da Unifesp revela 300 km de áreas sob risco no Litoral de SP

Análise mostra que 55% da extensão de praias paulistas possui áreas urbanizadas dentro de apenas 100 metros de distância da faixa de areia

Especialistas alertam que barreiras e pieres também representam risco ambiental

Especialistas alertam que barreiras e pieres também representam risco ambiental | Rovena Rosa/Agência Brasil

Uma pesquisa do Instituto do Mar, da Unifesp em Santos, revelou que mais de 300 quilômetros da linha costeira do Litoral de SP estão ocupados por construções em áreas sob risco climático.

Na prática, isso significa que mais de 25% da linha costeira "mole" do Estado possui cidadãos e estrutura urbana suscetíveis a riscos climáticos.

De acordo com o estudo, 235 quilômetros da área sob risco identificada estão próximos a praias. Outros 67 quilômetros estão em áreas de mangue e similares, o que aumenta a vulnerabilidade a inundações e erosão. 

A análise revela ainda que 55% da extensão de praias paulistas possui áreas urbanizadas dentro de apenas 100 metros de distância da faixa de areia. 

A situação é mais grave na Baixada Santista e no Litoral Norte, onde até 81% das praias já foram afetadas pela urbanização.

Pieres e barreiras podem representar risco ambiental

Segundo Aline Martinez, que conduziu o estudo, 245 quilômetros de infraestruturas artificiais, como quebra-mares, píeres e muros de contenção, podem impactar negativamente o meio ambiente.

Isso acontece porque as estruturas causam perda de habitats naturais para alguns animais marinhos, entre outros riscos. "Essas estruturas são úteis para nossas atividades diárias, porém elas também facilitam a bioinvasão, quando espécies de uma região se estabelecem em novas localidades", completou.

Urbanização e risco climático no Litoral de SP

A pesquisa também alerta para a concentração urbana nas regiões mais vulneráveis, como a Baixada Santista, onde a ocupação próxima às praias já atinge 81%. 

Cientistas preveem aumento do nível do mar e erosão costeira até o fim do século. Por isso, o estudo reforça a importância de políticas públicas voltadas para a preservação da vida no litoral e para a adaptação às mudanças climáticas.

"No contexto dos debates sobre a PEC [Proposta de Emenda à Constituição) das Praias, nosso estudo enfatiza a necessidade de fortalecer a preservação dos Terrenos de Marinha e seus acrescidos, em vez de facilitar suas ocupações", finaliza Ronaldo Christofoletti, professor-orientador da pesquisa.