Nova teoria sugere que vivemos em uma bolha com densidade de matéria inferior à média do universo / Imagem ilustrativa/IA
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Por décadas, a astronomia operou sob um princípio fundamental: o de que não somos especiais. A ideia é que a nossa localização no cosmos é comum e que o universo parece essencialmente o mesmo em qualquer direção que se olhe, se considerarmos escalas grandes o suficiente. No entanto, uma hipótese fascinante, que voltou a ganhar força entre cientistas neste início de 2026, sugere exatamente o oposto: podemos estar vivendo em um lugar muito peculiar.
A teoria propõe que a nossa galáxia, a Via Láctea, e suas vizinhas próximas não estão em uma região "média" do espaço, mas sim presas dentro de um gigantesco "vazio cósmico" — uma bolha inimaginavelmente grande com muito menos matéria do que o resto do universo.
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Essa ideia radical não surgiu do nada. Ela é uma das principais candidatas a resolver a maior crise da cosmologia moderna: a "Tensão de Hubble".
Sabemos que o universo está se expandindo desde o Big Bang. O problema é que, quando os cientistas tentam medir a velocidade dessa expansão, eles obtêm respostas diferentes dependendo do método usado. Se eles observam a luz do universo primitivo (a radiação cósmica de fundo), o valor é um. Se eles medem a velocidade com que galáxias próximas estão se afastando (usando supernovas como marcadores), o valor é outro, significativamente mais rápido.
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É como se dois velocímetros de alta precisão no mesmo carro mostrassem velocidades diferentes. Alguém — ou a nossa compreensão da física — está errado.

Mapa de densidade mostra áreas aglomeradas
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(vermelhas) e vazias (azuis ou escuras) - Universe Map
É aqui que entra a teoria da bolha. Se o universo fosse um queijo suíço, nós estaríamos vivendo dentro de um dos buracos.
A hipótese sugere que nossa região local do espaço, abrangendo bilhões de anos-luz de diâmetro, contém menos galáxias, gás e matéria escura do que a média universal. Como a gravidade da matéria é o que "freia" a expansão, estar em uma região com menos matéria significa sentir menos atração gravitacional.
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A consequência direta de estar nesse "vazio" é que tudo ao nosso redor parece estar se afastando mais rápido do que deveria. A falta de gravidade local permite que nossa vizinhança cósmica acelere mais do que as regiões externas e mais densas do universo.
Isso criaria uma espécie de ilusão de ótica em escala cósmica. Quando medimos o universo próximo, vemos essa velocidade "turbinada" pela bolha. Quando olhamos para o universo distante, vemos a velocidade "real". A teoria da bolha sugere que a Tensão de Hubble não é um erro de cálculo, mas um efeito colateral do nosso endereço cósmico.
Provar que estamos dentro de um vazio gigante é extremamente difícil, pois exige mapear a densidade do universo em 3D em escalas colossais. No entanto, dados recentes de novos telescópios espaciais, como o Euclid e o James Webb, estão começando a fornecer os mapas necessários para testar essa ideia.
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Se confirmada, a teoria da bolha forçaria uma reescrita dos livros de física, provando que, afinal, nosso canto no universo é um lugar muito especial — e solitário.