O cenário não é novo. Ao longo do último século, temporais intensos deixaram marcas no litoral paulista. / Nair Bueno/DL
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As fortes chuvas que voltam a atingir a Baixada Santista em 2026 reacendem um alerta antigo na região: o risco constante de deslizamentos em áreas de morro. O cenário não é novo. Ao longo do último século, temporais intensos deixaram marcas no litoral paulista.
Um dos episódios mais trágicos ocorreu em 10 de março de 1928, quando, após uma chuva intensa, o Monte Serrat desbarrancou em Santos. Cerca de 2 milhões de metros cúbicos de terra deslizaram e atingiram a Santa Casa de Misericórdia de Santos. A tragédia deixou ao menos 81 mortos, segundo dados oficiais.
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A Baixada Santista está entre as áreas mais chuvosas do Brasil, especialmente entre a primavera e o verão, de setembro a março. Dados históricos apontam que o mês de março concentra alguns dos maiores volumes de precipitação.
Estudos geológicos indicam que os morros da região têm formação relativamente recente e grande quantidade de matéria orgânica, o que torna o solo instável e mais suscetível a escorregamentos. O fenômeno natural do deslizamento passa a se transformar em tragédia quando há ocupação humana em áreas consideradas de risco.
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Ao longo das décadas, o crescimento urbano desordenado levou à ocupação de encostas, muitas vezes em condições precárias, o que dificulta a implantação de estruturas de contenção semelhantes às instaladas em rodovias.
Dados do Censo de 2010 mostram que uma parcela significativa da população vive em aglomerados subnormais na região. Em Guarujá, o índice era de 33%. Em São Vicente, 26%. Já em Santos, 9%. As três cidades já registraram mortes em episódios recentes de chuvas intensas.
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Nos últimos anos, programas habitacionais e projetos de reassentamento vêm sendo desenvolvidos para remover famílias de áreas de risco. Há iniciativas em andamento com apoio estadual e federal, além de parcerias para financiamento de novas moradias.
A Secretaria de Estado de Habitação estuda projetos para atender milhares de famílias que vivem em encostas vulneráveis na Baixada..