Uma das tempestades solares mais fortes dos últimos 23 anos está em atividade / Imagem ilustrativa/IA
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A Terra está sob o impacto de uma tempestade de radiação solar classificada como "severa" (nível S4), a mais intensa registrada desde outubro de 2003. O fenômeno, desencadeado por uma erupção solar maciça no início desta semana, lançou uma ejeção de massa coronal em direção ao nosso planeta, gerando alertas globais para sistemas de satélite, redes elétricas e aviação. Embora o espetáculo visual das auroras boreais esteja encantando o Hemisfério Norte, no Brasil, a preocupação é puramente tecnológica e invisível a olho nu.
Para os brasileiros, o principal efeito prático desta tempestade geomagnética é a instabilidade em serviços de navegação e comunicação. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) monitora o evento, pois a ionosfera sobre a América do Sul é particularmente sensível a essas perturbações. Usuários de GPS (como em aplicativos de transporte e agricultura de precisão) podem notar imprecisões momentâneas, e comunicações via rádio de alta frequência (HF), usadas por aeronaves e navios em áreas remotas, podem sofrer apagões temporários ou chiados intensos.
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Diferente da Europa e dos Estados Unidos, onde o céu noturno ganhou cores vibrantes, o Brasil dificilmente verá auroras. Nossa posição geográfica, distante dos polos magnéticos, funciona como uma barreira natural para esse tipo de show de luzes. No entanto, essa mesma posição não nos isenta dos riscos estruturais: operadores de redes de energia estão em alerta preventivo, pois as correntes induzidas no solo pela tempestade podem sobrecarregar transformadores, embora o risco de um "apagão" generalizado por aqui seja considerado baixo pelos especialistas.
O cenário é mais crítico fora da atmosfera. A radiação intensa obrigou astronautas na Estação Espacial Internacional a adotarem protocolos de segurança, buscando abrigo nas áreas mais protegidas do laboratório orbital. Além disso, satélites de internet e meteorologia sofrem com o aumento do arrasto atmosférico, o que pode diminuir sua vida útil ou exigir manobras de correção de órbita para evitar quedas prematuras.
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O evento atual serve como um lembrete da nossa dependência tecnológica diante do "clima espacial", que deve continuar agitado à medida que o Sol se aproxima do pico de seu ciclo de atividade de 11 anos.
Fontes: NOAA/SWPC, INPE/Embrace, G1 e CNN Brasil