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Telescópio James Webb registra galáxia "água-viva" e revela imagem de 8,5 bilhões de anos atrás

Imagem do Telescópio Espacial James Webb revela galáxia a 8,5 bilhões de anos-luz com filamentos de gás que formam novas estrelas fora de seu núcleo

Agência Diário

Publicado em 03/03/2026 às 18:33

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Registrada pelo Telescópio Espacial James Webb, a galáxia COSMOS2020-635829 ganhou o apelido de "água-viva cósmica" por seus longos tentáculos de gás, onde astrônomos identificaram o nascimento de estrelas no rastro deixado pelo chamado arrancamento por i / NASA/ESA

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Olhar para o céu noturno é, na prática, viajar no tempo. Cada ponto de luz que vemos carrega uma história antiga, e algumas delas atravessaram bilhões de anos até chegar aos nossos olhos. 

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Foi exatamente isso que revelou o Telescópio Espacial James Webb ao registrar uma imagem que nos leva a 8,5 bilhões de anos no passado: uma galáxia com formato incomum, apelidada de “água-viva cósmica”.

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Por trás da aparência impressionante, a estrutura identificada pelos astrônomos como COSMOS2020-635829 ajuda a responder perguntas fundamentais sobre como galáxias crescem, interagem e se transformam ao longo de bilhões de anos.

Por que "água-viva"?

O apelido carinhoso não é por acaso. Essa galáxia pertence a uma classe conhecida como "galáxias-medusa" devido aos seus longos filamentos de gás que se estendem pelo espaço, lembrando tentáculos flutuantes.

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Esse visual exótico é fruto de um processo dramático chamado "arrancamento por impacto". Imagine uma galáxia viajando em altíssima velocidade por um aglomerado denso. 

Ao atravessar esse meio, ela enfrenta uma resistência semelhante a um vento forte, que acaba "soprando" o gás para fora do disco galáctico. O resultado é uma trilha de material que se arrasta atrás dela, criando a silhueta característica da água-viva.

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Berçários de estrelas em locais improváveis

Um dos detalhes mais impressionantes revelados pelo olhar aguçado do James Webb é o que acontece dentro desses "tentáculos". 

Os dados mostram pontos azuis brilhantes nos filamentos de gás, que são, na verdade, estrelas jovens se formando fora do corpo principal da galáxia.

Isso significa que, mesmo sendo arrancado de sua casa original, o gás deslocado ainda mantém a capacidade de dar vida a novos astros, criando um espetáculo luminoso no rastro da galáxia.

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Uma surpresa sobre o Universo jovem

A descoberta da COSMOS2020-635829, feita na região do céu chamada campo COSMOS, desafiou o que os cientistas acreditavam sobre a história do Cosmos. 

Até então, pensava-se que, há 8,5 bilhões de anos, os aglomerados de galáxias ainda não eram densos ou "agressivos" o suficiente para causar esse fenômeno com frequência.

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Segundo Ian Roberts, pesquisador do Waterloo Centre for Astrophysics (da University of Waterloo) e um dos responsáveis pela análise, o achado sugere que os ambientes do Universo primitivo já eram muito mais hostis do que se imaginava.

O que o futuro reserva

A observação dessa "água-viva" é apenas o começo. Os astrônomos agora utilizam esses dados para entender um dos maiores mistérios da astronomia: por que algumas galáxias simplesmente param de formar estrelas e "morrem".

Ao estudar como o gás é removido dessas estruturas, o James Webb nos ajuda a montar o quebra-cabeça da evolução galáctica, mostrando que, no espaço, até mesmo a perda de material pode gerar novas e brilhantes histórias.

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