Nanoplásticos na água engarrafada só começaram a aparecer em grande escala quando pesquisadores adotaram ferramentas capazes de enxergar partículas extremamente pequenas.
A mudança de método revelou um cenário mais detalhado do que aquele mostrado por estudos anteriores.
Em reportagem, explicou que os dados vêm de um estudo publicado em periódico ligado à National Academy of Sciences, ressaltando que a pesquisa representa um novo estágio na análise científica da água consumida diariamente. Saiba mais na galeria abaixo:
Por que esses fragmentos não apareciam antes
Durante muitos anos, os métodos tradicionais de análise eram capazes de detectar apenas partículas maiores, como os microplásticos. Tudo o que estivesse abaixo desse limite simplesmente não entrava nas medições.
Isso criou uma falsa impressão de que a presença de plástico na água era menor do que realmente é. Com novas tecnologias, os cientistas passaram a enxergar uma camada invisível que sempre esteve ali, mas fora do alcance técnico.
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O que mudou com a nova tecnologia
A microscopia a laser utilizada no estudo permitiu identificar partículas em escala nanométrica com maior precisão. Esse tipo de análise consegue diferenciar materiais e tamanhos com um nível de detalhe inédito.
Os pesquisadores explicam que o aumento nos números não significa deterioração recente da água engarrafada. O que mudou foi a capacidade científica de observar e medir algo que antes escapava completamente das análises.
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Como o plástico chega até a água
Segundo o estudo, os nanoplásticos podem ser liberados em diferentes etapas, como durante o envase, o transporte e o armazenamento da água. O contato constante com superfícies plásticas é um fator central nesse processo.
Não se trata de um problema pontual ou restrito a uma fase específica. A presença dessas partículas parece resultar de um conjunto de fatores ao longo de toda a cadeia produtiva.
Como interpretar esses dados
Os autores deixam claro que o estudo não estabelece riscos comprovados à saúde humana. Ele se limita à identificação e quantificação das partículas.
Como destacou a People, os dados devem ser vistos como ponto de partida para novas pesquisas, e não como base para conclusões definitivas ou alarmistas.
