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Sorriso desalinhado? Descubra por que os dentes se movem mesmo após anos de aparelho

Movimentação dentária continua ao longo da vida e uso da contenção é etapa fundamental para preservar o resultado do tratamento

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 12/03/2026 às 13:33

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Dentes não ficam totalmente fixos ao longo da vida: mudanças naturais podem provocar movimentações dentárias, mesmo após o tratamento ortodôntico / Freepik/ArtPhoto_studio

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A utilização de aparelho ortodôntico é uma das técnicas mais comuns para corrigir desalinhamentos dentários e problemas de mordida. Apesar de geralmente produzir bons resultados funcionais e estéticos, muitos pacientes relatam que após o término do tratamento, os dentes voltam a se movimentar, podendo entortar novamente. O fenômeno, conhecido como recidiva ortodôntica, não significa necessariamente que o procedimento falhou.

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Especialistas explicam que, na verdade, os dentes não permanecem completamente estáticos ao longo da vida. Mudanças naturais do organismo - incluindo crescimento facial, envelhecimento e hábitos cotidianos — podem provocar alterações na posição dentária.

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O processo de deslocamento dentário ocorre porque os dentes não são rigidamente fixados aos ossos: segundo o professor da Faculdade Albert Einstein, Alexander Nishida, a raiz do dente é diretamente encaixada em pequenas cavidades - denominadas alvéolos -, sustentadas por fibras. Esta posição pode resultar na movimentação dentária quando forças são aplicadas.

Durante o procedimento ortodôntico, o recurso exerce pressão gradual sobre os dentes. Esse estímulo desencadeia uma reação biológica, chamada 'remodelação óssea': de um lado do dente, o osso é reabsorvido; enquanto do outro, forma-se um novo tecido ósseo, permitindo que o dente se desloque lentamente.

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A importância da fase de contenção

Após a remoção do aparelho, inicia-se a fase de contenção, considerada fundamental para manter os resultados obtidos. A etapa utiliza dispositivos — fixos ou removíveis — que estabilizam os dentes, enquanto os tecidos ao redor se reorganizam.

Segundo a Associação Americana de Ortodontistas (AAO), os tecidos gengivais e ósseos precisam de tempo para se adaptar à nova posição dos dentes, o que explica a necessidade da contenção após o tratamento.

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Na prática, muitos ortodontistas recomendam que o uso da contenção dure, ao menos, o dobro do tempo do tratamento ortodôntico. Todavia, acredita-se cada vez mais que o dispositivo deve ser utilizado por períodos prolongados — e, em alguns casos, por tempo indeterminado.

Por que os dentes inferiores entortam mais?

Os dentes da arcada inferior costumam apresentar maior tendência à recidiva, devido a fatores anatômicos e funcionais como:

  • Raízes geralmente mais finas;

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  • Espaço limitado entre os dentes inferiores;

  • Pressão constante da mordida e da língua;

  • Influência de hábitos como apertamento dentário.

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Deste modo, muitos profissionais recomendam a realização da contenção fixa na arcada inferior, que consiste em um fio metálico colado na parte dentária interna. O dispositivo é discreto, permanecendo de forma prolongada. No entanto, ele exige cuidados rigorosos de higiene.

A presença do fio pode dificultar a limpeza adequada entre os dentes, aumentando o risco de inflamações gengivais se o paciente não utilizar fio dental ou escovas interdentais com regularidade.

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A contenção ortodôntica  fixa ou removível  é considerada etapa essencial para estabilizar os dentes após a retirada do aparelho. Unsplash/Ozkan Guner
A contenção ortodôntica fixa ou removível é considerada etapa essencial para estabilizar os dentes após a retirada do aparelho. Unsplash/Ozkan Guner
Durante o uso do aparelho, forças controladas estimulam a remodelação óssea, processo biológico que permite o deslocamento gradual dos dentes. Unsplash/Ozkan Guner
Durante o uso do aparelho, forças controladas estimulam a remodelação óssea, processo biológico que permite o deslocamento gradual dos dentes. Unsplash/Ozkan Guner
Hábitos como bruxismo, roer unhas e má higiene bucal podem contribuir para a recidiva ortodôntica, exigindo acompanhamento periódico com o dentista. Unsplash/Ozkan Guner
Hábitos como bruxismo, roer unhas e má higiene bucal podem contribuir para a recidiva ortodôntica, exigindo acompanhamento periódico com o dentista. Unsplash/Ozkan Guner
Os dentes inferiores costumam apresentar maior tendência a entortar novamente, devido ao espaço reduzido entre eles e à pressão constante da mordida e da língua. Unsplash/Aman yadav
Os dentes inferiores costumam apresentar maior tendência a entortar novamente, devido ao espaço reduzido entre eles e à pressão constante da mordida e da língua. Unsplash/Aman yadav
Dentes não ficam totalmente fixos ao longo da vida: mudanças naturais podem provocar movimentações dentárias, mesmo após o tratamento ortodôntico. Freepik/ArtPhoto_studio
Dentes não ficam totalmente fixos ao longo da vida: mudanças naturais podem provocar movimentações dentárias, mesmo após o tratamento ortodôntico. Freepik/ArtPhoto_studio

Contenção removível

Na área dentária superior (arcada superior), caracterizada como estável em muitos casos, é comum o uso de contenções removíveis. Os dispositivos abrangem:

  • Placas acrílicas tradicionais;

  • Placas transparentes semelhantes a alinhadores ortodônticos.

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Inicialmente, o uso costuma ser em tempo integral, sendo gradualmente reduzido para períodos noturnos.

Hábitos que favorecem a recidiva

Mesmo com a finalização do tratamento, alguns hábitos podem contribuir ao deslocamento dos dentes. Os principais aspectos englobam:

  • Bruxismo (ranger ou apertar os dentes);

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  • Roer unhas ou morder objetos;

  • Respiração bucal;

  • Inflamações gengivais causadas por higiene bucal inadequada.

De acordo com a Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR), consultas de acompanhamento são essenciais ao monitoramento de possíveis mudanças na posição dentária, além de verificar o estado da contenção. Revisões a cada seis meses ou, no mínimo, uma vez ao ano são recomendáveis.

*O texto contém informações do portal Super Interessante e Agência Einstein

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