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Movimentação dentária continua ao longo da vida e uso da contenção é etapa fundamental para preservar o resultado do tratamento
Dentes não ficam totalmente fixos ao longo da vida: mudanças naturais podem provocar movimentações dentárias, mesmo após o tratamento ortodôntico / Freepik/ArtPhoto_studio
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A utilização de aparelho ortodôntico é uma das técnicas mais comuns para corrigir desalinhamentos dentários e problemas de mordida. Apesar de geralmente produzir bons resultados funcionais e estéticos, muitos pacientes relatam que após o término do tratamento, os dentes voltam a se movimentar, podendo entortar novamente. O fenômeno, conhecido como recidiva ortodôntica, não significa necessariamente que o procedimento falhou.
Especialistas explicam que, na verdade, os dentes não permanecem completamente estáticos ao longo da vida. Mudanças naturais do organismo - incluindo crescimento facial, envelhecimento e hábitos cotidianos — podem provocar alterações na posição dentária.
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O processo de deslocamento dentário ocorre porque os dentes não são rigidamente fixados aos ossos: segundo o professor da Faculdade Albert Einstein, Alexander Nishida, a raiz do dente é diretamente encaixada em pequenas cavidades - denominadas alvéolos -, sustentadas por fibras. Esta posição pode resultar na movimentação dentária quando forças são aplicadas.
Durante o procedimento ortodôntico, o recurso exerce pressão gradual sobre os dentes. Esse estÃmulo desencadeia uma reação biológica, chamada 'remodelação óssea': de um lado do dente, o osso é reabsorvido; enquanto do outro, forma-se um novo tecido ósseo, permitindo que o dente se desloque lentamente.
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Após a remoção do aparelho, inicia-se a fase de contenção, considerada fundamental para manter os resultados obtidos. A etapa utiliza dispositivos — fixos ou removÃveis — que estabilizam os dentes, enquanto os tecidos ao redor se reorganizam.
Segundo a Associação Americana de Ortodontistas (AAO), os tecidos gengivais e ósseos precisam de tempo para se adaptar à nova posição dos dentes, o que explica a necessidade da contenção após o tratamento.
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Na prática, muitos ortodontistas recomendam que o uso da contenção dure, ao menos, o dobro do tempo do tratamento ortodôntico. Todavia, acredita-se cada vez mais que o dispositivo deve ser utilizado por perÃodos prolongados — e, em alguns casos, por tempo indeterminado.
Os dentes da arcada inferior costumam apresentar maior tendência à recidiva, devido a fatores anatômicos e funcionais como:
RaÃzes geralmente mais finas;
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Espaço limitado entre os dentes inferiores;
Pressão constante da mordida e da lÃngua;
Influência de hábitos como apertamento dentário.
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Deste modo, muitos profissionais recomendam a realização da contenção fixa na arcada inferior, que consiste em um fio metálico colado na parte dentária interna. O dispositivo é discreto, permanecendo de forma prolongada. No entanto, ele exige cuidados rigorosos de higiene.
A presença do fio pode dificultar a limpeza adequada entre os dentes, aumentando o risco de inflamações gengivais se o paciente não utilizar fio dental ou escovas interdentais com regularidade.
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Na área dentária superior (arcada superior), caracterizada como estável em muitos casos, é comum o uso de contenções removÃveis. Os dispositivos abrangem:
Placas acrÃlicas tradicionais;
Placas transparentes semelhantes a alinhadores ortodônticos.
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Inicialmente, o uso costuma ser em tempo integral, sendo gradualmente reduzido para perÃodos noturnos.
Mesmo com a finalização do tratamento, alguns hábitos podem contribuir ao deslocamento dos dentes. Os principais aspectos englobam:
Bruxismo (ranger ou apertar os dentes);
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Roer unhas ou morder objetos;
Respiração bucal;
Inflamações gengivais causadas por higiene bucal inadequada.
De acordo com a Associação Brasileira de Ortodontia e Ortopedia Facial (ABOR), consultas de acompanhamento são essenciais ao monitoramento de possÃveis mudanças na posição dentária, além de verificar o estado da contenção. Revisões a cada seis meses ou, no mÃnimo, uma vez ao ano são recomendáveis.
*O texto contém informações do portal Super Interessante e Agência Einstein