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Análises revelam concentração recorde de partículas invisíveis na água e especialistas afirmam: 'Nunca encontramos uma amostra limpa'
O Mar Adriático, um dos mais belos e visitados do mundo, esconde um perigo real / Imagem ilustrativa/IA
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As águas cristalinas do Mar Adriático, famosas mundialmente por atrair turistas à costa da Croácia, escondem um segredo alarmante. Enquanto a superfície reflete a beleza de um dos destinos mais cobiçados da Europa, cientistas emitiram um alerta urgente: o mar está sendo invadido por uma "sopa" invisível de microplásticos, e a contagem de partículas não para de bater recordes.
Novos dados divulgados por pesquisadores croatas revelam um cenário muito mais grave do que se imaginava, colocando em xeque a saúde da vida marinha e, consequentemente, a segurança alimentar humana na região.
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Os números apresentados pelo Centro de Pesquisa Marinha do Instituto Ruđer Bošković (IRB) são assustadores. Segundo as medições mais recentes, a concentração média de microplásticos no Adriático gira em torno de 250.000 partículas por quilômetro quadrado.
No entanto, em pontos turísticos específicos, como nas proximidades da cidade de Rovinj, a situação é crítica: os cientistas registraram picos de até 600.000 partículas por quilômetro quadrado.
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Victor Stinga Perusco, cientista do IRB responsável pela análise, fez uma declaração contundente sobre a onipresença do material: em toda a sua carreira analisando a água da região, ele jamais encontrou uma única amostra limpa. Todas as coletas, sem exceção, continham fragmentos de plástico, provando que a poluição atingiu um nível de saturação inescapável.
Ao contrário do que muitos pensam, a maior fonte dessa poluição não são apenas as garrafas ou sacolas deixadas na praia, mas sim um inimigo silencioso que vive dentro de nossas casas: a máquina de lavar roupa.
As pesquisas indicam que uma parcela massiva das partículas encontradas são microfibras sintéticas. A cada ciclo de lavagem de roupas de poliéster ou nylon, milhares de filamentos microscópicos são liberados na água. Como as estações de tratamento nem sempre conseguem filtrar materiais tão pequenos, essas fibras acabam desembocando diretamente no mar, acumulando-se ano após ano.
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Como a produção global de plásticos e tecidos sintéticos continua a crescer, a tendência é que a concentração no Adriático aumente exponencialmente se nada for feito.
A maior preocupação dos especialistas não é apenas a presença física do plástico, mas o que ele carrega. Os microplásticos funcionam como "veículos" para produtos químicos perigosos. Eles absorvem toxinas da água e, quando ingeridos por peixes e outros organismos marinhos, introduzem esses venenos na cadeia alimentar.
O resultado final desse ciclo é o prato do consumidor. Embora a ciência ainda esteja mapeando a extensão total dos danos à saúde humana causados pela ingestão de microplásticos, o consenso é de alerta máximo. O que acontece no Adriático é um espelho do que ocorre nos oceanos globais: uma crise silenciosa que, agora, os cientistas tentam tornar visível antes que seja tarde demais.
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