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Símbolo urbano nacional, Anatel começa a retirar os últimos orelhões das ruas do país

Comunidades isoladas ou regiões que ainda não possuem sinal de celular, os equipamentos serão mantidos até 2028

Jeferson Marques

Publicado em 20/01/2026 às 11:57

Atualizado em 20/01/2026 às 12:01

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Orelhão da lendária "Telesp" sendo removido em rua histórica no Brasil / Imagem ilustrativa/IA

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O ano de 2026 marca o encerramento oficial de um dos maiores símbolos urbanos do Brasil. A Anatel autorizou nesta semana o início da retirada definitiva dos telefones públicos.

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A medida é consequência direta do fim dos contratos de concessão de telefonia fixa. As operadoras, como Vivo e Oi, não têm mais a obrigação legal de manter os aparelhos nas ruas.

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A partir de agora, as empresas começam uma operação de "limpeza" nas grandes cidades. A prioridade é remover as carcaças vandalizadas que apenas ocupam espaço nas calçadas.

Estima-se que restem cerca de 38 mil orelhões espalhados pelo país. O número é ínfimo se comparado aos mais de 200 mil que existiam em 2020.

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Exceções

A extinção, contudo, não será imediata para todos os municípios. A agência reguladora estabeleceu uma regra de transição para proteger comunidades isoladas.

Em localidades onde ainda não existe sinal de celular (4G ou 5G), os orelhões deverão ser mantidos. Nestes casos específicos, o funcionamento é garantido até o fim de 2028.

Cerca de 9 mil aparelhos se enquadram nessa categoria de "sobrevivência temporária". Eles funcionarão como último recurso de comunicação em áreas rurais ou remotas.

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Para o restante do território nacional, o desmonte já começou. O estado de São Paulo, que concentra a maior parte do acervo restante (cerca de 28 mil unidades), será o mais visivelmente afetado.

Troca

A decisão traz uma contrapartida financeira importante para o setor. A verba que seria gasta na manutenção desses equipamentos obsoletos tem destino certo.

As operadoras deverão reinvestir os valores economizados na expansão da banda larga. O foco será a melhoria da cobertura de internet móvel nas periferias e estradas.

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O fim dos orelhões encerra um ciclo iniciado na década de 1970. O design icônico da arquiteta Chu Ming Silveira, que exportou o modelo brasileiro para o mundo, agora vira peça de museu.

Futuro

A retirada das cúpulas de fibra de vidro deve liberar espaço em calçadas estreitas de grandes centros. Urbanistas veem a medida como positiva para a circulação de pedestres.

Para a geração que cresceu comprando fichas e cartões telefônicos, resta a nostalgia. O barulho da "queda da ficha" ou a mensagem de "crédito insuficiente" entram para a história.

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Oficialmente, o serviço de voz em vias públicas deixa de ser uma política de Estado. O celular, hoje universalizado, assume integralmente o papel de conector da sociedade.

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