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Segundo psicóloga, posse de aparelhos eletrônicos entre crianças pode ser extremamente prejudicial

Especialista explica que, quando o uso de telas é excessivo, há a possibilidade de comprometer desenvolvimento cognitivo e emocional

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 10/01/2026 às 23:13

Atualizado em 11/01/2026 às 11:37

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O uso excessivo de celulares e tablets pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, alerta especialista / Freepik

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Em muitos casos, pais permitem que seus filhos pequenos utilizem celulares e outros aparelhos eletrônicos, pensando nisso como algo "inofensivo" ou até mesmo para acalmar seus filhos. Porém, o que muitos não sabem é que esse hábito pode prejudicar o crescimento infantil, impactando a capacidade de aprendizado e até mesmo de interação social.

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Conforme especialista, as atividades na infância - como brincar e interagir com outras crianças - são fundamentais para seu desenvolvimento saudável. No entanto, a vivência com as telas, muitas vezes, impede esses fatores. Isto é, o estímulo tecnológico pode fazer com que o cérebro da criança busque por conforto, ao invés de aprendizado.

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"De forma geral, o uso excessivo de telas vai comprometer o desenvolvimento cognitivo e emocional. Pode comprometer questões como raciocínio, concentração, linguagem, capacidade a lidar com frustrações e criatividade. Isso porque nos desenvolvemos na interação, com os estímulos de ambientes que se apresentam em formas e tempos diferentes na vida. Se existem muitos estímulos, em velocidade aumentada, o corpo e a mente vão se habituando a busca por respostas rápidas, prontas e a um menor interesse por interações com pessoas e também com objetos que contribuem com o desenvolvimento. O brincar, por exemplo, é uma atividade fundamental à infância. Quando substituída por telas, exclui o direito da criança de estar no mundo através de interações e experiências reais que demandam lidar com frustrações, procurar respostas, soluções para problemas, dificuldades e desafios de uma vida real e normal".

Qual a idade ideal para crianças utilizarem aparelhos eltrônicos?

Ainda segundo a profissional da saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta a proibição de dispositivos eletrônicos até os dois anos de idade. A psicóloga também alerta os perigos de conteúdos agressivos que podem estar presentes na internet. Os impactos podem se perpetuar, muitas vezes, até mesmo na vida adulta.

"Além dessas questões, é preciso atentar-se a conteúdos expostos que, muitas vezes, têm características de hostilidade, fomentam violência, bullying e muitas outras questões que impactam na saúde mental".

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Dos dois a cinco anos, a utilização de eletrônicos pode até ser permitida. Entretanto, deve ser restringida a apenas uma hora por dia. A psicóloga cita, do mesmo modo, que aspectos como a atenção e cuidados parentais nunca podem ser deixados de lado, mesmo com o crescimento da criança. 

"Para crianças maiores, o ideal é ir aumentando o tempo progressivamente, considerando a autonomia e desenvolvimento. Mas a idade ou nível de autonomia não exclui a necessidade de pais ou responsáveis ficarem atentos à qualidade do conteúdo. Também é necessário se atentar para o momento do dia, evitar exposição próxima a hora de dormir e nunca substituir uma atividade importante por uso de tela". 

 

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A atenção dos responsáveis e, quando necessário, o apoio psicológico são essenciais para garantir um crescimento saudável longe do excesso de telas. Freepik
A atenção dos responsáveis e, quando necessário, o apoio psicológico são essenciais para garantir um crescimento saudável longe do excesso de telas. Freepik
O uso excessivo de celulares e tablets pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, alerta especialista. Freepik
O uso excessivo de celulares e tablets pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, alerta especialista. Freepik
Irritabilidade, apatia sem telas e queda no desempenho escolar podem indicar prejuízos no desenvolvimento infantil. Unsplash/Vitaly Zalishchyker
Irritabilidade, apatia sem telas e queda no desempenho escolar podem indicar prejuízos no desenvolvimento infantil. Unsplash/Vitaly Zalishchyker
Segundo a OMS, crianças de até 2 anos não devem ter contato com eletrônicos. Dos 2 aos 5 anos, o uso deve ser limitado a no máximo 1 hora por dia. Unsplash/Budi Gustaman
Segundo a OMS, crianças de até 2 anos não devem ter contato com eletrônicos. Dos 2 aos 5 anos, o uso deve ser limitado a no máximo 1 hora por dia. Unsplash/Budi Gustaman
A interação, o lúdico e as experiências reais são fundamentais na infância: Substituir o brincar por telas pode limitar o aprendizado e a criatividade. Unsplash/Yeon Li
A interação, o lúdico e as experiências reais são fundamentais na infância: Substituir o brincar por telas pode limitar o aprendizado e a criatividade. Unsplash/Yeon Li
 

O uso excessivo de telas pode gerar transtornos como TDAH em crianças?

O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, mais conhecido pela sigla "TDAH", está se tornando cada vez mais comum: Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, cerca de 5 a 8% da população mundial apresenta a condição. O número pode parecer pequeno, mas consiste por volta de 640 milhões de pessoas. Além disso, ainda segundo os dados, estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam alguma outra comorbidade. 

Com a gravidade crescente desse tipo de condição, a especialista diz que é possível, sim, que a utilização excessiva de telas possa resultar no desenvolvimento do TDAH em crianças, considerando os impactos apresentados. 

"Estamos falando de um transtorno do desenvolvimento. Logo, se a criança está exposta a esses riscos, ou seja, se o desenvolvimento cognitivo e emocional estão sendo 'delegados' por conteúdo de telas na maior parte do tempo, ela pode sofrer com sintomas e riscos de um transtorno como o TDAH".

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Em relação aos impactos das telas, alguns dos sinais preocupantes que a especialista menciona são: 

  • Irritabilidade quando os eletrônicos são retirados
  • Apatia sem telas
  • Queda no desempenho escolar e diminuição do interesse por brincar

Papel dos pais e apoio psicológico

A psicóloga considera a presença e atenção dos pais - ou outros responsáveis - no processo de crescimento infantil como imprescindível, não apenas para controlar o acesso a conteúdos mas, simultaneamente, para oferecer apoio. Além disso, ela destaca que a Psicologia pode ser uma opção importante quando a situação foge do controle.

"A psicologia, de forma geral, vai atuar na avaliação dos sintomas e orientar a reorganização do ambiente, o que geralmente se faz junto dos pais. Já com os filhos, será através do trabalho terapêutico com uso de brincadeiras, jogos, investindo na relação para construir novos repertórios. A criança precisa ser acompanhada, ter suporte para inaugurar o próprio mundo através da fantasia, do lúdico e, infelizmente, a exposição a telas remove essa possibilidade", finaliza. 

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