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Especialista explica que, quando o uso de telas é excessivo, há a possibilidade de comprometer desenvolvimento cognitivo e emocional
O uso excessivo de celulares e tablets pode prejudicar o desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças, alerta especialista / Freepik
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Em muitos casos, pais permitem que seus filhos pequenos utilizem celulares e outros aparelhos eletrônicos, pensando nisso como algo "inofensivo" ou até mesmo para acalmar seus filhos. Porém, o que muitos não sabem é que esse hábito pode prejudicar o crescimento infantil, impactando a capacidade de aprendizado e até mesmo de interação social.
Conforme a psicóloga Adriana Freitas, as atividades na infância - como brincar e interagir com outras crianças - são fundamentais para seu desenvolvimento saudável. No entanto, a vivência com as telas, muitas vezes, impede esses fatores. Isto é, o estímulo tecnológico pode fazer com que o cérebro da criança busque por conforto, ao invés de aprendizado.
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"De forma geral, o uso excessivo de telas vai comprometer o desenvolvimento cognitivo e emocional. Pode comprometer questões como raciocínio, concentração, linguagem, capacidade a lidar com frustrações e criatividade. Isso porque nos desenvolvemos na interação, com os estímulos de ambientes que se apresentam em formas e tempos diferentes na vida. Se existem muitos estímulos, em velocidade aumentada, o corpo e a mente vão se habituando a busca por respostas rápidas, prontas e a um menor interesse por interações com pessoas e também com objetos que contribuem com o desenvolvimento. O brincar, por exemplo, é uma atividade fundamental à infância. Quando substituída por telas, exclui o direito da criança de estar no mundo através de interações e experiências reais que demandam lidar com frustrações, procurar respostas, soluções para problemas, dificuldades e desafios de uma vida real e normal".
Ainda segundo a profissional da saúde, a Organização Mundial de Saúde (OMS) orienta a proibição de dispositvos eletrôncios até os dois anos de idade. Adriana também alerta os perigos de conteúdos agressivos que podem estar presentes na internet. Os impactos podem se perpetuar, muitas vezes, até mesmo na vida adulta.
"Além dessas questões, é preciso atentar-se a conteúdos expostos que, muitas vezes, têm características de hostilidade, fomentam violência, bullying e muitas outras questões que impactam na saúde mental".
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Dos dois a cinco anos, a utilização de eletrônicos pode até ser permitida. Entretanto, deve ser restringida a apenas uma hora por dia. A psicóloga cita, do mesmo modo, que aspectos como a atenção e cuidados parentais nunca podem ser deixados de lado, mesmo com o crescimento da criança.
"Para crianças maiores, o ideal é ir aumentando o tempo progressivamente, considerando a autonomia e desenvolvimento. Mas a idade ou nível de autonomia não exclui a necessidade de pais ou responsáveis ficarem atentos à qualidade do conteúdo. Também é necessário se atentar para o momento do dia, evitar exposição próxima a hora de dormir e nunca substituir uma atividade importante por uso de tela".
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O Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade, mais conhecido pela sigla "TDAH", está se tornando cada vez mais comum: Segundo o Ministério da Saúde do Brasil, cerca de 5 a 8% da população mundial apresenta a condição. O número pode parecer pequeno, mas consiste por volta de 640 milhões de pessoas. Além disso, ainda segundo os dados, estima-se que 70% das crianças com o transtorno apresentam alguma outra comorbidade.
Com a gravidade crescente desse tipo de condição, Adriana diz que é possível, sim, que a utilização excessiva de telas possa resultar no desenvolvimento do TDAH em crianças, considerando os impactos apresentados.
"Estamos falando de um transtorno do desenvolvimento. Logo, se a criança está exposta a esses riscos, ou seja, se o desenvolvimento cognitivo e emocional estão sendo 'delegados' por conteúdo de telas na maior parte do tempo, ela pode sofrer com sintomas e riscos de um transtorno como o TDAH".
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Em relação aos impactos das telas, alguns dos sinais preocupantes que a especialista menciona são:
Adriana considera a presença e atenção dos pais - ou outros responsáveis - no processo de crescimento infantil como imprescindível, não apenas para controlar o acesso a conteúdos mas, simultaneamente, para oferecer apoio. Além disso, ela destaca que a Psicologia pode ser uma opção importante quando a situação foge do controle.
"A psicologia, de forma geral, vai atuar na avaliação dos sintomas e orientar a reorganização do ambiente, o que geralmente se faz junto dos pais. Já com os filhos, será através do trabalho terapêutico com uso de brincadeiras, jogos, investindo na relação para construir novos repertórios. A criança precisa ser acompanhada, ter suporte para inaugurar o próprio mundo através da fantasia, do lúdico e, infelizmente, a exposição a telas remove essa possibilidade", finaliza.
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