A banda Mamonas Assassinas meses antes do trágico acidente aéreo / Arquivo Pessoal
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Se a Brasília Amarela parasse hoje no feed do Twitter (X) ou no TikTok, a recepção seria radicalmente diferente de 1995. Especialistas em cultura pop e críticos musicais divergem, mas um ponto é consenso: os Mamonas Assassinas enfrentariam um "Tribunal da Internet" implacável logo na primeira semana.
O debate se divide em dois grandes campos: aqueles que veem nas letras preconceitos inadmissíveis para o século 21, e aqueles que defendem a banda pela via da sátira e da crítica social oculta.
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Se analisarmos as letras friamente, sem a nostalgia, o "material probatório" para um cancelamento é vasto. Faixas que o Brasil cantou sorrindo nos anos 90 hoje acendem todos os alertas de movimentos sociais:
Para críticos como Regis Tadeu, o cancelamento seria certo. A banda seria acusada de fazer humor com minorias ("punching down"), algo que a comédia moderna rejeita.
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Por outro lado, defensores argumentam que cancelar os Mamonas seria um erro de interpretação de texto. A banda não glorificava esses comportamentos; ela ridicularizava o brasileiro médio tosco.
Crítica ao Consumismo: Músicas como "Chopis Centis" e "1406" são, na verdade, críticas ácidas à desigualdade social e à publicidade enganosa, temas que a Gen Z adora.
O carisma de Dinho era tão avassalador que ele tinha uma espécie de "imunidade diplomática" com o público. É provável que, se estivessem vivos, eles teriam evoluído. Assim como os Trapalhões ou a TV Pirata, os Mamonas de hoje provavelmente fariam piada com a própria polarização política e os "fiscais da internet".
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Os Mamonas Assassinas de 1995 não sobreviveriam intactos em 2026. Eles seriam obrigados a pedir desculpas públicas ou reformular o repertório.
Porém, se a banda tivesse envelhecido conosco, é provável que fosse "incancelável". Eles eram, acima de tudo, músicos técnicos e inteligentes. Hoje, estariam provavelmente fazendo a trilha sonora irônica do caos brasileiro, rindo de influencers, coachs quânticos e políticos de estimação, mantendo-se relevantes não pela ofensa, mas pela capacidade única de fazer o Brasil rir de sua própria desgraça.