Em meio à floresta amazônica peruana, um rio desafia o que se conhece sobre calor na natureza. O Shanay-timpishka chega a ultrapassar 90°C em trechos e levanta dúvidas sobre como a água pode atingir tal temperatura. O fenômeno chama a atenção de cientistas e comunidades locais.
Pesquisadores afirmam que o fenômeno não está ligado ao sol, mas sim a falhas geológicas que liberam água subterrânea aquecida, em uma das regiões mais biodiversas do planeta. O caso vem sendo estudado como possível indicador de mudanças ambientais mais amplas.
O contato com a água pode ser perigoso e causar queimaduras graves em segundos, segundo cientistas que monitoram a região há anos, reforçando o caráter extremo do fenômeno.
Rio que ferve na floresta
Conhecido como Shanay-timpishka, o rio fica no Peru e atravessa a Amazônia em áreas remotas. Em alguns pontos, a água chega perto do ponto de ebulição, surpreendendo moradores e pesquisadores que visitam a região.
Segundo o geocientista peruano Andrés Ruzo, medições mostram extremos: ele registrou partes em que a água ultrapassava 90°C e chegava a ferver em alguns locais.
O especialista afirma ao portal The Sun que “você coloca a mão dentro e verá queimaduras de segundo ou terceiro grau em questão de segundos”.
O que explica o calor extremo
Estudos indicam que o calor não vem da incidência solar. A explicação mais aceita envolve falhas geológicas que permitem que água subterrânea aquecida emerja das profundezas da Terra, aquecendo o curso do rio em diferentes trechos.
Uma equipe internacional instalou sensores ao longo do rio para entender a variação térmica. Em alguns pontos, o contraste com a floresta ao redor é intenso, com mudanças bruscas de temperatura em poucos metros, revelando um ambiente instável.
Impactos na floresta e nos animais
A elevação extrema da temperatura afeta diretamente a biodiversidade. Pesquisadores observaram que algumas espécies desaparecem nas áreas mais quentes, enquanto outras conseguem resistir ao ambiente hostil e às condições extremas.
A pesquisadora Alyssa Kullberg afirmou ao The Sun que, apesar da umidade, “a vegetação parecia bem mais seca” nas áreas próximas ao rio, indicando forte estresse térmico nas plantas e mudanças visíveis na composição da floresta.
Laboratório natural para o clima
Cientistas veem o Shanay-timpishka como uma espécie de laboratório natural para estudar os efeitos do aquecimento global. O ambiente ajuda a entender como ecossistemas reagem ao calor extremo e suas consequências.
Para Rodolfo Nóbrega, da Universidade de Bristol, quando a temperatura aumenta, “mesmo se houver disponibilidade de água [por perto], a capacidade de fotossíntese das plantas pode diminuir”.
Já Chris Boulton alerta que, se a floresta desaparecer, “muito do carbono vai para a atmosfera e isso vai afetar o clima. Não é apenas local, é global”.










