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Réveillon pode ser desafiador para crianças com TEA; especialistas dão orientações

Fogos, barulho e aglomerações intensificam crises sensoriais, mas estratégias simples ajudam famílias a atravessar o período com mais segurança

Júlia Morgado

Publicado em 21/12/2025 às 15:45

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Fogos de artifício e barulho intenso podem causar desconforto e crises sensoriais em crianças com TEA durante o Réveillon / Gerado por IA/Freepik

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Com a chegada do fim do ano, o clima de festa toma conta das cidades, especialmente durante o Réveillon, marcado por fogos de artifício, música alta e grandes aglomerações. No entanto, o que para muitos representa alegria e celebração pode se transformar em um período de tensão para famílias de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Isso porque estímulos intensos de som e luz costumam provocar medo, desconforto e crises em pessoas com hipersensibilidade sensorial.

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Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, diretora do Autonomia Instituto, eventos de grande euforia popular costumam ser desafiadores para crianças com TEA. "O Réveillon acaba sendo sinônimo de tempos difíceis para muitas famílias. São crises de choro, irritabilidade, medo, agressividade e desregulação que se tornam complicadas", explica.

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De acordo com ela, essas reações estão ligadas a um dos critérios diagnósticos do transtorno, que é a hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente. "Para alguns, até mesmo uma buzina do carro ou uma bexiga de festa de aniversário pode causar pânico", afirma.

Além das tradicionais queimas de fogos em praias e praças, confraternizações realizadas em ambientes fechados também podem gerar desconforto. Sons altos, música, conversas simultâneas e luzes intensas costumam sobrecarregar os sentidos de pessoas com TEA, podem causar irritabilidade e aumentam o risco de crises de choro e instabilidade emocional e comportamental.

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Para ajudar as crianças a enfrentarem esse período, Bárbara Calmeto destaca algumas ações para auxiliar pessoas com TEA:

O acompanhamento terapêutico e a dessensibilização sensorial ajudam crianças com TEA a lidar gradualmente com estímulos intensos/ Freepik
O acompanhamento terapêutico e a dessensibilização sensorial ajudam crianças com TEA a lidar gradualmente com estímulos intensos/ Freepik
Explicar o que vai acontecer durante o Réveillon traz previsibilidade e mais segurança para a criança com TEA/ Freepik
Explicar o que vai acontecer durante o Réveillon traz previsibilidade e mais segurança para a criança com TEA/ Freepik
Vídeos e imagens podem ser usados como ferramenta de dessensibilização antes do Réveillon/ Gerado por IA/Gemini
Vídeos e imagens podem ser usados como ferramenta de dessensibilização antes do Réveillon/ Gerado por IA/Gemini
Planejar a rotina e explicar o que vai acontecer ajuda a reduzir a ansiedade durante as festas/ Freepik
Planejar a rotina e explicar o que vai acontecer ajuda a reduzir a ansiedade durante as festas/ Freepik
O uso pontual de fones de ouvido pode ajudar a reduzir o impacto do barulho em crianças com TEA/ Gerado por IA/Gemini
O uso pontual de fones de ouvido pode ajudar a reduzir o impacto do barulho em crianças com TEA/ Gerado por IA/Gemini

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1. Aposte no acompanhamento terapêutico e na dessensibilização sensorial

Para ajudar crianças com TEA a enfrentarem períodos marcados por estímulos intensos, como as comemorações de fim de ano, uma das estratégias mais indicadas é o trabalho integrado com profissionais da saúde. 

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Segundo a neuropsicóloga Bárbara Calmeto, esse acompanhamento envolve a dessensibilização sistematizada, conduzida por psicólogos, que promove uma aproximação gradual aos estímulos externos, além da estimulação sensorial realizada por terapeutas ocupacionais. 

"Esses profissionais devem treinar os pais para contextualizar os estímulos externos que vão aparecer e generalizar para outros ambientes. Mas assim como qualquer terapia, ela demanda tempo para dar os resultados esperados", explica. 

2. Dê previsibilidade e explique o que vai acontecer durante o Réveillon

Para reduzir os impactos causados pelo barulho e pelas luzes dos fogos, Bárbara Calmeto destaca a importância de oferecer previsibilidade à pessoa com TEA. 

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A orientação é explicar, de forma clara e antecipada, por que e em que momento os fogos serão acionados, além de contextualizar outros sons que costumam surgir durante as comemorações. 

"Faça a criança entender como as pessoas preparam os fogos e enfatize que, embora barulhentos, são seguros e é divertido assistir", orienta a neuropsicóloga.

Leia mais: Praia Grande terá seis pontos de fogos silenciosos na virada para 2026.

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3. Prepare a criança com antecedência por meio de imagens, vídeos e brincadeiras

Outra estratégia indicada é a dessensibilização gradual antes da chegada do Réveillon, por meio da exposição controlada a imagens, vídeos e sons de fogos e festas de anos anteriores.

A orientação é iniciar esse processo sem áudio e, aos poucos, aumentar o volume, permitindo que a criança se familiarize gradualmente com o barulho. Após assistir aos vídeos, atividades lúdicas podem reforçar esse aprendizado. 

Calmeto explica que atividades de desenhar e pintar fogos com a criança, utilizando materiais que ela goste, como lápis de cera ou tintas, ajudam nesse processo. Outra possibilidade é brincar com estalinhos ou com velas que soltam pequenas faíscas quando acesas, para que se acostume aos estímulos visuais e sonoros aos poucos.

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"Também é indicado fazer o que chamamos de aprendizagem respondente, que é quando colocamos os barulhos que podem acontecer durante a data ou computador com o som mais alto e brincamos. Assim, a criança acaba associando os barulhos à diversão e brincadeiras", sugere Bárbara.

4. Apresente o cronograma da festa e envolva a criança no planejamento

O uso de dicas visuais também pode ajudar a reduzir a ansiedade das crianças com TEA durante as comemorações. 

A orientação é explicar, de forma clara e objetiva, o que vai acontecer, por quanto tempo a situação vai durar e quando tudo chegará ao fim, além de mostrar quais ações serão adotadas para minimizar o barulho. Essa previsibilidade tende a trazer mais segurança. "Crianças podem ficar mais calmas quando entendem o cronograma de tudo que vai acontecer", afirma.

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Segundo a neuropsicóloga, envolver a criança no planejamento da programação da família é uma estratégia eficaz. "Se forem a alguma festa, explique o porquê dessa tradição; pergunte se ele teria algum pedido para a ocasião, como levar um amigo ou que tenha algum tipo de comida; explique a ordem dos acontecimentos durante o evento, como reunião das pessoas, a hora da virada, quando todos se abraçam e festejam, o porquê dos fogos e barulho etc", completa.

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5. Considere o uso de fones de ouvido para reduzir o impacto do barulho

Outra alternativa bastante útil é o uso de fones de ouvido grandes, do tipo concha, que cobrem toda a orelha e ajudam a abafar os sons externos. 

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A recomendação é introduzir esse recurso antes do evento, permitindo que a criança se acostume gradualmente, já que algumas não toleram bem objetos nos ouvidos. É importante ressaltar, que o uso dos fones deve ser pontual. Esse recurso não é indicado para médio ou longo prazo, pois pode acabar aumentando ainda mais a sensibilidade auditiva da criança.

6. Respeite os limites da criança 

É importante lembrar que, mesmo com todas essas estratégias, nem toda criança com TEA se sentirá confortável para participar das comemorações de fim de ano. Nesses casos, sempre que possível, a orientação é manter distância da queima de fogos. 

Quando isso não for viável, vale investir em alternativas que ajudem a criança a se sentir mais segura e tranquila, como oferecer um brinquedo favorito, um paninho ou outro objeto de conforto. 

Outra opção é permitir que a criança ouça músicas ou assista a um vídeo de que goste durante a festa, especialmente no momento dos fogos, reduzindo o impacto dos estímulos sonoros e visuais.

Mesmo que a criança esteja mais tranquila em relação aos fogos, é importante evitar que ela fique em meio a grandes aglomerações. 

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Ambientes muito cheios podem intensificar outros estímulos desconfortáveis, como abraços inesperados, gritos de alegria e contato físico excessivo, aumentando o risco de sobrecarga sensorial. 

Bárbara Calmeto reforça que o incômodo das pessoas com TEA nunca deve ser minimizado. "Valide o sentimento dela e busque ajudar da melhor forma possível. Faça as técnicas adequadas para apoio, seja empático e explique às pessoas ao redor como colaborar e compreender as necessidades de quem precisa desse apoio", conclui a neuropsicóloga.

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