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Ressacas reforçam estudos de que o mar está devorando cidade do litoral de SP aos poucos

Climate Central aponta 9 cidades brasileiras que, se nada for feito, podem ser engolidas pelo mar, e Santos é uma delas

Da Reportagem

Publicado em 09/07/2024 às 09:11

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Últimas ressacas em Santos têm sido fortes e constantes / Nair Bueno/Diário do Litoral

Não precisa ser nenhum especialista para notar que, ao longo da última década, as ressacas do mar em Santos, litoral de SP, estão mais fortes e constantes.

Das 100 cidades de 39 países que hoje tem alto risco por causa do avanço do nível do mar, 7 são brasileiras: Rio de Janeiro, Fortaleza, Salvador, Recife, Porto Alegre, São Luís do Maranhão e, vejam só: Santos.

Cerca de 2 milhões de pessoas serão afetadas, segundo um estudo da Climate Central, que é uma organização internacional sem fins lucrativos, com base em informações do IPCC, que é o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima.

O problema é que o nível do mar não para de subir com o aquecimento global, que está expandindo as águas do oceano e provocando derretimento das calotas polares. Nas últimas três décadas, o nível já subiu 9 cm, podendo chegar a 80 cm até 2100.

Com isso, a maré pode invadir terras ocupadas por 10% da população global, que são mais de 800 milhões de pessoas.

Uma pesquisa da USP já mostra que o nível do mar no Estado de São Paulo subiu 20 cm nos últimos 73 anos, e até 2050 pode chegar a 36 cm se a a emissão de carbono continuar na atmosfera.

Não tem mais como evitar o avanço do nível do mar, porque mesmo se a emissão de carbono parar, a atmosfera continuaria aquecida.

Estamos na fase de adaptação climática, na qual é preciso de um plano de ação com várias medidas como corte significativo nas emissões de carbono, grandes obras e instalação de sistemas de monitoramento e alertas de eventos extremos.

Especialistas dizem que não adianta fazer barreira no mar, diques e aumentar faixa de areia, visto que essa elevação dos oceanos causa erosão e ressacas fortes, que destroem tudo.

A boa notícia é que o Brasil já começou a se mexer.

O Rio de Janeiro fez uma parceria com a NASA para monitorar avanço do mar. Recife começou a retirar moradores de áreas de risco e construir parque para reter a água.

Fortaleza está construindo um lago subterrâneo para conter alagamentos. 

Santos instalou uma barreira de grandes sacos de areia para impedir que as ressacas avancem sobre a área urbana.

Salvador está com um plano de redução de emissão de carbono com monitoramento de alerta e alarme na defesa civil.

Porto Alegre está com a meta de zerar as emissões até 2050.

De acordo com especialistas, são planos acanhados que precisam de muita mais ambição e medidas, aliando vontade política a tecnologia pra se adaptar a elevação dos níveis do mar.

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