Diário Mais

Quaresma: Por que não se deve espiar por frestas de janelas às sextas-feiras após meia-noite

Velas que viram ossos e passos que não tocam o chão: entenda por que a tradição brasileira diz que o 'mal está à solta' e como se proteger nesta época

Jeferson Marques

Publicado em 18/02/2026 às 15:09

Compartilhe:

Compartilhe no WhatsApp Compartilhe no Facebook Compartilhe no Twitter Compartilhe por E-mail

Durante a quaresma, não se deve espiar pela janela às sextas-feiras após meia-noite / Imagem ilustrativa/Gemini

Continua depois da publicidade

Se você mora em uma das muitas cidades históricas do Brasil talvez já tenha ouvido o conselho dos mais velhos: "Durante a Quaresma, não olhe pelas frestas da janela após a meia-noite".

Faça parte do grupo do Diário no WhatsApp e Telegram.
Mantenha-se bem informado.

Dizem que, no silêncio profundo das madrugadas de sexta-feira, o som de correntes arrastadas e orações sussurradas não vem de vizinhos devotos, mas de quem já partiu. É a Procissão das Almas.

Continua depois da publicidade

Leia Também

• O que prometer na Quaresma? Veja 30 ideias de propósitos para transformar sua espiritualidade

• Manifesto Caiçara repudia homenagens no período da Quaresma e data fake; entenda

• Mais de 1 milhão de pessoas rezam 'Rosário da Madrugada' em início da quaresma

O Cortejo dos Mortos

A lenda é arrepiante. Um grupo de figuras vestidas de branco, com velas acesas nas mãos e rostos cobertos, caminha lentamente pelas ruas desertas. O objetivo? Pedir orações para as almas que ainda não encontraram descanso. Mas o perigo mora na curiosidade.

A Procissão das Almas em uma sexta-feira da quaresma, meia-noite / Gemini
A Procissão das Almas em uma sexta-feira da quaresma, meia-noite / Gemini
Não se deve espiar por frestas ao ouvir passos ou sentir cheiro de vela derretida / Gemini
Não se deve espiar por frestas ao ouvir passos ou sentir cheiro de vela derretida / Gemini
Nunca aceite uma vela, feche a porta e ore / Gemini
Nunca aceite uma vela, feche a porta e ore / Gemini

Segundo o folclore, se você for visto olhando para eles, uma das almas se aproximará e lhe entregará uma vela. O susto vem ao amanhecer: ao acordar, a vela deixada sobre a mesa não é mais de cera, mas sim um osso humano. Quem recebe esse "presente" estaria marcado para se juntar ao cortejo na próxima Quaresma.

Continua depois da publicidade

Mistério

Essa lenda ganha contornos reais através da tradição da Recomendação das Almas, um ritual centenário muito forte em muitas cidades de Minas Gerais e de Santa Catarina. Eles saem de madrugada, parando em encruzilhadas e cemitérios para cantar e rezar.

Muitas vezes, moradores juram que, ao ouvir o som de longe, não conseguem distinguir se são os devotos vivos ou se, entre eles, caminham os próprios espíritos em busca de luz.

De onde vem o temor?

Estudiosos do folclore brasileiro, como Luís da Câmara Cascudo, explicam que essa tradição veio de Portugal e se fundiu com a fé local. No Brasil, o isolamento das vilas antigas ajudou a manter o mistério vivo.

Continua depois da publicidade

Como agir se ouvir passos na sexta, pós meia-noite?

A tradição é clara:

  • Não abra a porta;
  • Não tente identificar os rostos;
  • Se receber algo, não aceite;
  • Reze um Pai Nosso e espere o sol nascer.

Afinal, na Quaresma, as fronteiras entre o nosso mundo e o "outro lado" parecem ficar mais acessíveis.

Fontes: IPHAN (Patrimônio Imaterial), Arquivo Histórico Municipal de Iguape e "Dicionário do Folclore Brasileiro" de Câmara Cascudo.

Continua depois da publicidade

TAGS :

Conteúdos Recomendados

©2026 Diário do Litoral. Todos os Direitos Reservados.

Software