A praia mais premiada do planeta não tem bares, música alta nem grandes estruturas turísticas. Para chegar até ela, o visitante precisa atravessar uma abertura estreita entre paredões vulcânicos e descer uma escadaria cercada por rochas. No fim do percurso, surge a Baía do Sancho, em Fernando de Noronha.
Sete vezes eleita a melhor praia do mundo pelo Travellers’ Choice, do TripAdvisor, a faixa de areia cercada por falésias virou símbolo de preservação ambiental no Brasil. Além disso, o cenário quase intocado ajuda a explicar por que tanta gente considera o local um verdadeiro paraíso escondido.
Em dias de mar calmo, a água cristalina revela peixes coloridos, corais e tartarugas marinhas em uma visibilidade que pode chegar a 50 metros. Mas o que mais chama atenção começa antes mesmo do primeiro mergulho.
Descida pela fenda
O acesso terrestre à Baía do Sancho começa por passarelas suspensas em meio à vegetação do Parque Nacional Marinho. No entanto, a parte mais impressionante aparece no fim do caminho, quando uma abertura estreita entre as rochas revela a famosa escadaria metálica.
A descida supera os 50 metros de altura e permite a passagem de apenas uma pessoa por vez. Por isso, o ICMBio controla o fluxo de visitantes em determinados horários, evitando impactos ambientais em uma das áreas mais preservadas do arquipélago.
Entre fevereiro e junho, pequenas cachoeiras temporárias descem das falésias e encontram o mar azul-turquesa. Sem guarda-sóis, vendedores ou estruturas comerciais na areia, a paisagem mantém o aspecto selvagem que transformou o local em referência mundial.
Arquipélago que já foi presídio e patrimônio mundial
Muito antes de virar sonho de turistas, Fernando de Noronha teve uma história marcada por disputas e isolamento. O arquipélago foi descrito por Américo Vespúcio em 1503 e, pouco depois, doado pela Coroa portuguesa a Fernão de Loronha.
A partir de 1737, as ilhas passaram a funcionar como presídio político. Durante séculos, o local recebeu desde ciganos deportados até presos ligados à Segunda Guerra Mundial, período em que Noronha também serviu como base militar estratégica.
Décadas depois, o cenário mudou completamente. Em 2001, Fernando de Noronha e o Atol das Rocas foram declarados Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. Hoje, o Parque Nacional Marinho protege cerca de 70% do território do arquipélago.
praias escondidas, golfinhos e mergulhos históricos.
Paisagens inesquecíveis
Além da Baía do Sancho, Fernando de Noronha reúne outras paisagens famosas. A Baía dos Golfinhos, por exemplo, é conhecida pela presença frequente de golfinhos-rotadores ao amanhecer, atraindo visitantes de diferentes partes do mundo.
Já a Praia do Leão se destaca como uma das principais áreas de desova de tartarugas marinhas no Brasil. Enquanto isso, a Baía dos Porcos chama atenção pelas piscinas naturais cercadas por rochas e pela vista para o Morro Dois Irmãos.
Para quem gosta de aventura, o arquipélago também oferece mergulhos em naufrágios transformados em recifes artificiais e experiências como o planasub, passeio em que visitantes deslizam sob a água segurando uma prancha puxada por barco.
Limite de turistas ajuda a preservar o cenário
Parte do encanto de Fernando de Noronha está justamente nas regras rígidas de preservação ambiental. Atualmente, a visitação é limitada a cerca de 11 mil turistas por mês, medida que busca reduzir impactos sobre a fauna e a vegetação local.
Todos os visitantes precisam pagar a Taxa de Preservação Ambiental, calculada conforme os dias de permanência. Além disso, o ingresso do Parque Nacional Marinho garante acesso às áreas protegidas por até 10 dias.
O resultado desse controle aparece na paisagem. A Baía do Sancho continua com águas transparentes, natureza preservada e uma sensação rara de isolamento. E talvez seja exatamente essa dificuldade de acesso que transforme a praia em um lugar ainda mais inesquecível.
No fim da escadaria estreita entre as rochas, o visitante encontra mais do que uma praia famosa. Encontra um cenário que parece escondido do mundo e que continua surpreendendo até quem já viajou por destinos considerados paradisíacos.








