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Por que o peixe que deu origem à animação 'Procurando Nemo' apaga suas listras?

Entenda o fenômeno biológico onde as células da cor branca morrem propositalmente para garantir a ascensão social do peixe

Jeferson Marques

Publicado em 25/02/2026 às 12:54

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Um peixe-palhaço jovem com múltiplas listras, sinal de sua posição subordinada na hierarquia / IA
Um peixe-palhaço jovem com múltiplas listras, sinal de sua posição subordinada na hierarquia / IA
Um peixe-palhaço adulto e dominante, com apenas uma listra branca na cabeça / IA
Um peixe-palhaço adulto e dominante, com apenas uma listra branca na cabeça / IA
Interação social entre um adulto dominante (uma listra) e um jovem subordinado (duas listras) / IA
Interação social entre um adulto dominante (uma listra) e um jovem subordinado (duas listras) / IA
Visão microscópica mostrando as células de pigmento branco (iridóforos) desaparecendo / IA
Visão microscópica mostrando as células de pigmento branco (iridóforos) desaparecendo / IA

Conhecido como "peixe palhaço", ele usa suas listras como uma espécia de "uniforme sociai" / Imagem ilustrativa/IA

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O peixe-palhaço, imortalizado no cinema pela animação "Procurando Nemo", guarda um segredo biológico fascinante: as suas listras brancas funcionam como "roupas sociais". Um novo estudo revela que a perda destas marcas é uma questão de hierarquia e, em muitos casos, de vida ou morte.

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Para estes animais, as riscas não são apenas decorativas. Elas comunicam a posição social de cada indivíduo dentro da sua comunidade, ajudando a evitar conflitos violentos no fundo do mar.

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O código das riscas

Na espécie peixe-palhaço-tomate (Amphiprion frenatus), os jovens nascem geralmente com duas listras brancas. No entanto, ao atingirem a fase adulta, uma dessas faixas desaparece, deixando o peixe com apenas uma marca característica.

A investigação, realizada pelo Instituto de Ciência e Tecnologia de Okinawa (OIST), no Japão, descobriu que esta mudança visual depende do contexto social. Peixes que vivem em comunidades com adultos perdem a listra extra muito mais depressa do que os que vivem isolados.

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Sobrevivência e ascensão social

Os cientistas acreditam que manter a segunda listra por mais tempo é uma estratégia de segurança para os peixes solitários. Ao parecerem "infantis" ou subordinados, eles evitam ataques fatais de adultos territoriais enquanto procuram uma nova anémona para habitar.

"Uma dentada de um adulto pode ser fatal para um peixe jovem", explicam os investigadores. Assim, a aparência visual funciona como um escudo diplomático que sinaliza que o jovem não representa uma ameaça à liderança do grupo.

O fim das células brancas

Biologicamente, o desaparecimento das listras ocorre através da morte programada de células específicas chamadas iridóforos. Estas são as células responsáveis pela cor branca brilhante.

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O estudo observou que, uma vez que estas células definham e morrem, o corpo do peixe não as substitui. Trata-se de uma transformação definitiva que marca a transição para a maturidade e a aceitação na hierarquia definitiva da colónia.

Por que é que isto importa?

Entender como o ambiente e a sociedade marinha moldam a aparência dos peixes ajuda os cientistas a prever como as espécies se adaptam a mudanças nos recifes.

A saúde das anémonas e a estrutura das famílias de peixes-palhaço são indicadores vitais da biodiversidade dos oceanos, mostrando que até a cor de uma risca pode ser o fio que sustenta um ecossistema inteiro.

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Fontes pesquisadas:

Revista Superinteressante (Editora Abril);

Periódico científico PLOS Biology;

OIST - Okinawa Institute of Science and Technology (Japão);

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Estudo liderado pela investigadora Laurie Mitchell.

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