Na província de Gifu, no alto da montanha de Kamioka, no Japão, está uma das câmaras científicas mais impressionantes já construídas pelo homem em toda a história.
Com um aspecto externo de uma mina antiga, velha e abandonada, ninguém pode imaginar que dentro dela, em uma profundidade de mil metros está um gigante cilindro dourado iluminado por centenas de tubos fotomultiplicadores que guardam a água mais pura do mundo, mas que ninguém pode bebê-la.
Corrosiva
Como é que a água pode ser corrosiva? Não estamos falando aqui de acidez, mas sim da falta de sais minerais e impurezas presentes nela.
Neste local, chamado de Super-Kamiokande, o processo de purificação da água é tão denso e extremo que a deixa quimicamente instável, capaz de dissolver qualquer íon disponível. Isso significa que ela é capaz de corroer plásticos, metais e até concretos algum tempo depois de entrar em contato com eles.
Essa pureza é essencial para que a cadeia rara de sinais de neutrinos (partículas elementares) que atravessa o detector, seja através do sol, de explosões estelares e da atmosfera não sofra nenhum tipo de interferência.
Intuito
O objetivo central desse experimento é o de compreender como a matéria se comporta no universo primordial e, ainda, explicar por que o cosmos contém mais matéria do que antimatéria, uma das dúvidas mais antigas e persistentes da comunidade científica especializada de todo o planeta.
