Por que Santos Dumont se afundou em tristeza e tirou a própria vida no litoral de SP?

Muitas teorias surgiram com o passar dos anos, mas o relato do delegado da época pode esclarecer muitas coisas

Alberto Santos Dumont, um dos nomes mais notáveis da história mundial

Alberto Santos Dumont, um dos nomes mais notáveis da história mundial | Reprodução/Internet

Um dos nomes mais notáveis e importantes de todos os tempos, Alberto Santos Dumont foi o responsável pela criação do “1º “avião”.

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Chamado de 14 Bis, fez seu primeiro voo em 7 de setembro de 1906. Cerca de dois meses depois, fez outro voo, agora percorrendo 220 metros de distância com um equipamento bem mais pesado do que o ar, em Paris, o que lhe rendeu os prêmios Archdeacon e o Prêmio do Aeroclube da França.

Santos Dumont tirou a própria vida em julho de 1932, aos 59 anos, dentro do Hotel La Plage, em Guarujá (onde hoje funciona um centro de compras com o mesmo nome).

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Seu corpo foi encontrado enforcado por um de seus amigos.

Mas, afinal de contas, o que levou um dos homens mais geniais de todos os tempos a atentar contra si?

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Veja, abaixo, o relato do delegado de polícia que atendeu a ocorrência:

“Santos Dumont estava hospedado no Hotel La Plage, que era o melhor do Guarujá. De lá, recebera a comunicação aflita. Não havia tempo a perder. Dirigi-me para o hotel, onde fui encontrar Edu Chaves e um sobrinho do inventor, muito preocupados. Contaram-me que Santos Dumont, nos últimos dias, ficara muito impressionado com o lançamento de bombas por parte de aviões do Governo Ditatorial. Culpava-se pelo seu invento, que devia aproximar os homens e não contribuir para maior matança. Penitenciava-se pelo mau uso que faziam da aviação. Já sofrera uma crise muito grave.

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“Correram em direção ao banheiro. Bateram à porta. Como não houvesse resposta, mandei arrombá-la. E o que vimos constituía um quadro dos mais dramáticos. Santos Dumont enforcara-se. O corpo, pequeno e magro, pendia do cano do chuveiro. Utilizara como corda o cordão do roupão de banho. Retirado o corpo, o médico informou que nada mais havia a fazer. Estava morto. Restava dar cumprimento aos regulamentos. Conquanto se tratava de uma glória nacional, a autópsia se impunha. Mas, quando cheguei à delegacia, já me aguardava um telefonema do chefe de polícia, então o Tirso Martins. Informou-me que a família de Santos Dumont obtivera do Governador Pedro de Toledo a entrega do corpo…”

“Então não crie embaraços à família. Vamos dar o caso como morte natural. A família insiste na dispensa da autópsia. Não há motivo para não atender a essa solicitação. O governador está de acordo. Eu assumo a responsabilidade”.

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Pelo que lemos, Santos Dumont decidiu tirar a própria vida por ver que sua invenção estava sendo usada para matar milhares de pessoas.

Na época, houve este “acobertamento” para que a causa real não fosse divulgada, dando-lhe “morte natural” como a causa da sua partida.