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Por que o QI médio no Brasil é tão baixo? Especialista cita a importância dos estímulos cerebrais

A média brasileira é de 87 pontos, enquanto a global é de 100; especialista explica que esse fator não é necessariamente genético, mas causado por fatores externos

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 22/03/2026 às 22:00

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Embora os testes de QI sejam amplamente usados em pesquisas e avaliações educacionais, especialistas ressaltam que os exames não conseguem representar todas as dimensões da inteligência humana, / Unsplash/Richard Bell

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O teste de QI (Quociente de Inteligência) se consolidou internacionalmente graças à sua suposta capacidade de medir o intelecto humano. No entanto, os resultados decorrem de diversos fatores, incluindo o estado socioeconômico de um país, a taxa de incidência de doenças, mortalidade e nutrição, além do desenvolvimento pré-natal e perinatal.

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O caso do Brasil, infelizmente, está entre os piores do mundo. Segundo um artigo do International IQ Test (Teste Internacional de QI, em inglês), o QI médio brasileiro está localizado na 87º posição do ranking global, que reúne mais de 130 países. Além disso, a média global do teste consiste no valor de 100; ou seja, os brasileiros estão com 13 pontos a menos deste número.

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Apesar da queda considerável, o quociente não é definido apenas por talento natural ou uma espécie de "dom"; como mencionado anteriormente, os resultados provém de inúmeros fatores, sejam familiares, nacionais ou internacionais. Abaixo, entenda o porquê do número ser tão baixo entre brasileiros.

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A importância (e limitação) do teste de QI

Segundo o neurologista Júlio Pereira, dos hospitais paulistas Sírio Libanês e Beneficência Portuguesa, o exame, capaz de simular as capacidades intelectuais e cognitivas de uma pessoa, é de caráter fundamental em consequência da complexidade de habilidades humanas.

"O teste de QI foi muito importante porque algumas capacidades - como a capacidade cognitiva - são muito difíceis de avaliar, considerando sua natureza multifatorial. Então, o exame foi visto como revolucionário devido à sua capacidade de padronização. Além disso, foi muito bem aceito pela comunidade científica".

Teste de QIEstímulos cognitivos na infância — como leitura, conversas, brincadeiras educativas e acesso à escola — são fatores determinantes para o desenvolvimento do cérebro. Unsplash/Nguyen Dang Hoang Nhu

Apesar da aplicação considerada essencial, Pereira destaca que o teste apresenta certos defeitos. Isso ocorre porque ele foi elaborado, principalmente, para ramos muito específicos, como a matemática e cálculos em geral. À vista disso, outras áreas acabam sendo "deixadas de lado".

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"Não é que ele serve para medir a 'inteligência humana' em sua totalidade, mas o teste acaba medindo habilidades específicas, principalmente relacionadas à matemática e lógica, bem como a velocidade do pensamento. Apesar de sua importância, ele tem algumas limitações, visto que é formado por padrões ocidentais muito estruturados, o que não representa a realidade global. Além disso, ele ignora outras áreas do raciocínio, como artes, inteligência emocional, entre outras".

Por que a média do QI brasileiro é tão baixa?

O profissional explica que o baixo quociente não é efeito genético ou regional, mas sim um aglomerado de aspectos externos, que começam na infância.

"As pessoas, independentemente do país, apresentam bases cognitivas bem semelhantes. Os fatores podem ser, na verdade, muito externos; a desnutrição, por exemplo, faz com que o cérebro não seja estruturado de uma forma adequada. A questão educacional também impacta muito nesse contexto: Nosso cérebro responde muito ao estímulo. Por isso, caso as pessoas não sejam estimuladas - principalmente na infância, terão prejuízos".

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Pereira finaliza ressaltando as principais causas externas para o quadro observado: "Quanto menor o estímulo, menor a capacidade. Isso inclui, claro, as habilidades que serão testadas em relação ao QI. Agora, quando uma criança apresenta altos padrões de estímulo - como desenvolvimento do vocabulário ou leitura -, ela terá uma capacidade cognitiva maior".

Teste de QIDesigualdade social, problemas nutricionais e limitações no acesso à educação estão entre os fatores apontados por pesquisadores para explicar diferenças no desempenho médio em testes de inteligência entre países. Unsplash/Chris Liverani

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