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A média brasileira é de 87 pontos, enquanto a global é de 100; especialista explica que esse fator não é necessariamente genético, mas causado por fatores externos
Embora os testes de QI sejam amplamente usados em pesquisas e avaliações educacionais, especialistas ressaltam que os exames não conseguem representar todas as dimensões da inteligência humana, / Unsplash/Richard Bell
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O teste de QI (Quociente de Inteligência) se consolidou internacionalmente graças à sua suposta capacidade de medir o intelecto humano. No entanto, os resultados decorrem de diversos fatores, incluindo o estado socioeconômico de um paÃs, a taxa de incidência de doenças, mortalidade e nutrição, além do desenvolvimento pré-natal e perinatal.
O caso do Brasil, infelizmente, está entre os piores do mundo. Segundo um artigo do International IQ Test (Teste Internacional de QI, em inglês), o QI médio brasileiro está localizado na 87º posição do ranking global, que reúne mais de 130 paÃses. Além disso, a média global do teste consiste no valor de 100; ou seja, os brasileiros estão com 13 pontos a menos deste número.
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Apesar da queda considerável, o quociente não é definido apenas por talento natural ou uma espécie de "dom"; como mencionado anteriormente, os resultados provém de inúmeros fatores, sejam familiares, nacionais ou internacionais. Abaixo, entenda o porquê do número ser tão baixo entre brasileiros.
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Segundo o neurologista Júlio Pereira, dos hospitais paulistas SÃrio Libanês e Beneficência Portuguesa, o exame, capaz de simular as capacidades intelectuais e cognitivas de uma pessoa, é de caráter fundamental em consequência da complexidade de habilidades humanas.
"O teste de QI foi muito importante porque algumas capacidades - como a capacidade cognitiva - são muito difÃceis de avaliar, considerando sua natureza multifatorial. Então, o exame foi visto como revolucionário devido à sua capacidade de padronização. Além disso, foi muito bem aceito pela comunidade cientÃfica".
EstÃmulos cognitivos na infância — como leitura, conversas, brincadeiras educativas e acesso à escola — são fatores determinantes para o desenvolvimento do cérebro. Unsplash/Nguyen Dang Hoang NhuApesar da aplicação considerada essencial, Pereira destaca que o teste apresenta certos defeitos. Isso ocorre porque ele foi elaborado, principalmente, para ramos muito especÃficos, como a matemática e cálculos em geral. À vista disso, outras áreas acabam sendo "deixadas de lado".
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"Não é que ele serve para medir a 'inteligência humana' em sua totalidade, mas o teste acaba medindo habilidades especÃficas, principalmente relacionadas à matemática e lógica, bem como a velocidade do pensamento. Apesar de sua importância, ele tem algumas limitações, visto que é formado por padrões ocidentais muito estruturados, o que não representa a realidade global. Além disso, ele ignora outras áreas do raciocÃnio, como artes, inteligência emocional, entre outras".
O profissional explica que o baixo quociente não é efeito genético ou regional, mas sim um aglomerado de aspectos externos, que começam na infância.
"As pessoas, independentemente do paÃs, apresentam bases cognitivas bem semelhantes. Os fatores podem ser, na verdade, muito externos; a desnutrição, por exemplo, faz com que o cérebro não seja estruturado de uma forma adequada. A questão educacional também impacta muito nesse contexto: Nosso cérebro responde muito ao estÃmulo. Por isso, caso as pessoas não sejam estimuladas - principalmente na infância, terão prejuÃzos".
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Pereira finaliza ressaltando as principais causas externas para o quadro observado: "Quanto menor o estÃmulo, menor a capacidade. Isso inclui, claro, as habilidades que serão testadas em relação ao QI. Agora, quando uma criança apresenta altos padrões de estÃmulo - como desenvolvimento do vocabulário ou leitura -, ela terá uma capacidade cognitiva maior".
Desigualdade social, problemas nutricionais e limitações no acesso à educação estão entre os fatores apontados por pesquisadores para explicar diferenças no desempenho médio em testes de inteligência entre paÃses. Unsplash/Chris Liverani