Por que nem todo mundo gosta de abraços? Psicologia explica

Estudos realizados apontam que a rejeição ao toque tem raízes emocionais, culturais e até hormonais

Criação sem afeto e traços emocionais explicam o incômodo

Criação sem afeto e traços emocionais explicam o incômodo | Freepik

Você já tentou abraçar alguém e a pessoa recuou? Embora pareça frieza, esse gesto pode estar ligado a traumas antigos, à forma como a pessoa foi criada e até a como o cérebro dela reage ao contato físico.

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A psicologia aponta que a rejeição ao toque tem raízes emocionais, culturais e até hormonais. Embora isso possa ser trabalhado, respeitar os limites alheios é sempre o mais importante.

Quem não gosta de ser tocado pode ter desenvolvido essa aversão ainda na infância. A ausência de carinho, um ambiente frio ou traços como ansiedade social influenciam como o corpo e a mente reagem ao toque.

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Criação distante impacta o conforto com o toque

A forma como os pais demonstram afeto durante a infância é um fator decisivo. Crianças que crescem recebendo carinho tendem a se tornar adultos mais abertos ao contato físico. O oposto também é verdadeiro.

Um estudo de 2012 da Comprehensive Psychology reforça isso: filhos de pais afetuosos reproduzem o padrão. Já quem teve uma criação mais fria pode se sentir desconfortável até em situações simples, como um abraço entre amigos.

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A cultura também pesa. No Brasil, o toque é naturalizado. Mas em países como Coreia do Sul, EUA e Inglaterra, o toque é menos comum — e o abraço, por exemplo, pode ser reservado a relações bem íntimas.

Entenda também o que significa outro comportamento comum: falar sozinho e em voz alta.

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Ausência de toque afeta o corpo e as emoções

A falta de contato físico na infância pode afetar o desenvolvimento do sistema nervoso e prejudicar a liberação de hormônios como a ocitocina, essencial para criar vínculos afetivos e sentir segurança emocional.

Darcia Narvaez, da Universidade de Notre Dame, explica que o nervo vago — importante para o vínculo social — também é afetado quando há escassez de carinho. Isso pode dificultar a empatia e o envolvimento afetivo na vida adulta.

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Estudos com órfãos da Romênia revelaram que crianças com histórico de pouca interação física produziam menos ocitocina ao receber carinho, o que reforça a dificuldade de criar laços mesmo com boas intenções ao redor.

e falando em comportamento humano, saiba por que pessoas tratam seus animais de estimação como filhos, segundo a psicologia.

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Toque pode gerar insegurança em quem tem baixa autoestima

Para além da criação, questões emocionais também entram em cena. A psicóloga Suzanne Degges-White afirmou em entrevista ao times que “para alguns, ser tocado física ou emocionalmente provoca grande insegurança”, especialmente em quem sofre com autoestima baixa.

Pessoas com ansiedade social também costumam evitar o toque, pois ele representa exposição e vulnerabilidade. Um simples abraço pode ser interpretado como ameaça à segurança emocional.

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No entanto, há esperança. Segundo especialistas, a exposição gradual pode ajudar a quebrar essa barreira. Muita gente relata surpresa, gratidão e até arrependimento por ter evitado gestos simples por tanto tempo.

Respeitar os limites continua sendo o mais importante. Se a outra pessoa prefere um aperto de mão ou apenas um sorriso, tudo bem. O afeto verdadeiro não depende do toque — depende da empatia.