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Por que não para de chover na Baixada Santista? Entenda o 'corredor de nuvens' que castiga a região

Segundo o boletim mensal do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a região Sudeste apresentou um dos maiores acumulados de precipitação do país

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 26/02/2026 às 13:57

Atualizado em 26/02/2026 às 14:26

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Ruas de Santos ficaram submersas após chuvas quase semanais em janeiro e fevereiro, dificultando o deslocamento de moradores e causando transtornos no trânsito / Nair Bueno/DL

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Os meses de janeiro e fevereiro foram marcados pelas chuvas quase semanais em várias cidades do litoral paulista, alagando inúmeras ruas de Santos, São Vicente, Peruíbe, Mongaguá dentre outros municípios.

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A situação, aparentemente incessante, preocupa moradores locais e dificulta o deslocamento diário, necessário para realizar atividades cotidianas. No entanto, segundo o Boletim Agroclimático do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), a região não foi a única afetada.

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Especificamente no mês de janeiro de 2026, as regiões Norte, Centro-Oeste e Sudeste apresentaram os maiores acumulados de precipitação do país inteiro, chegando a cerca de 150 mm - aproximadamente 150 litros de água por metro quadrado. Os níveis de água são tão extremos que sua altura supera a do teto de um carro.

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Ainda segundo o documento, as condições climáticas mundiais, na realidade, também dependem da interação entre a superfície dos oceanos e a atmosfera. No Brasil, fenômenos como o El Niño-Oscilação Sul (ONES) são fatores envolventes nesse contexto.

Segundo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia, o excesso de precipitação também afetou o calendário agrícola. Unsplash/Chris Gallagher
Segundo boletim do Instituto Nacional de Meteorologia, o excesso de precipitação também afetou o calendário agrícola. Unsplash/Chris Gallagher
Ruas de Santos ficaram submersas após chuvas quase semanais em janeiro e fevereiro, dificultando o deslocamento de moradores e causando transtornos no trânsito. Nair Bueno/DL
Ruas de Santos ficaram submersas após chuvas quase semanais em janeiro e fevereiro, dificultando o deslocamento de moradores e causando transtornos no trânsito. Nair Bueno/DL
Mapa do Instituto Nacional de Meteorologia aponta acumulados superiores a 200 mm em áreas do Sudeste em janeiro de 2026, influenciados pela atuação da ZCAS. Unsplash/Kelly Sikkema
Mapa do Instituto Nacional de Meteorologia aponta acumulados superiores a 200 mm em áreas do Sudeste em janeiro de 2026, influenciados pela atuação da ZCAS. Unsplash/Kelly Sikkema
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) forma um corredor de nuvens que se estende da Amazônia ao Atlântico, influenciando volumes expressivos de chuva no Sudeste. Unsplash/Evelyn Geissler
A Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) forma um corredor de nuvens que se estende da Amazônia ao Atlântico, influenciando volumes expressivos de chuva no Sudeste. Unsplash/Evelyn Geissler

Impacto do ZCAS no Sudeste

Em janeiro deste ano, os volumes na região sudeste foram extremamente preocupantes, superiores a 200 mm em grande parte do território. A distribuição da chuva, entretanto, foi influenciada pelo ZCAS (Zona de Convergência do Atlântico Sul), um dos principais sistemas meteorológicos causadores de chuva no Centro-Oeste e no Sudeste.

O fenômeno se assimila a um 'corredor de nuvens' que corta praticamente o Brasil inteiro, desde a Amazônia até o Oceano Atlântico. Do mesmo modo, o sistema é resultado de comportamentos dos eventos em altos e baixos níveis de atmosfera com formações de frentes frias, centros de baixa pressão e área alongada de baixa pressão, aspectos que geram climas rigorosos, nuvens carregadas e chuvas.

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Consequentemente, esses efeitos estão atingindo a Baixada Santista cada vez mais. A região está, inclusive, em alerta, segundo um mapa do Inmet. Confira a imagem abaixo:

Divulgado pelo Inmet, o mapa representa as regiões com maiores ou menores perigos de chuvas intensas. Reprodução/Inmet

Observe que a região está localizada em uma área vermelha. A cor mais intensa representa maiores perigos, enquanto outras cores menos destacadas - como laranja e amarelo -, mostram cenários menos alertantes.

Ainda sobre a presença do El Niño, outro fenômeno conhecido como La Ninã também apresenta grandes impactos nesses processos. Dependendo o contexto, o El Niño pode atrapalhar a organização do ZCAS, enquanto o La Niña pode contribuir ao sistema.

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O boletim do Inmet também revelou atrasos no avanço de colheitas e, simultaneamente, no início da implantação da segunda safra, prejudicando, em adição, o cenário agronômico do país.

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*O texto contém informações dos portais Inmet e Gov.br

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