Você já percebeu que algumas pessoas parecem ser sempre as primeiras a serem atacadas por mosquitos, enquanto outras quase não sofrem picadas? A ciência começa a desvendar esse padrão e aponta para uma explicação mais complexa do que se imaginava.
Pesquisadores indicam que não existe um único fator responsável. Em vez disso, uma combinação de sinais do corpo humano, especialmente odores e gases da respiração, guia a escolha dos mosquitos.
Essa mistura invisível pode transformar o corpo humano em um verdadeiro “mapa químico” para os insetos, que conseguem detectar suas vítimas a dezenas de metros de distância.
O que realmente atrai os mosquitos
Os mosquitos não escolhem suas vítimas ao acaso. Eles respondem a sinais químicos liberados pelo corpo humano, como o dióxido de carbono da respiração e o calor da pele. Esses elementos funcionam como um primeiro chamado no ambiente.
“Das pouco mais de 3,5 mil espécies de mosquitos conhecidas, cerca de 100 picam humanos e meia dúzia é vetor de doenças“, afirmou à AFP Frédéric Simard, diretor de estudos do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), destacando a importância do tema para a saúde global.
A partir desse ponto, os insetos refinam a busca. A cerca de dez metros, eles passam a detectar odores específicos do corpo, que se somam ao CO2 e tornam algumas pessoas mais visíveis do que outras no ambiente.
Cheiro do corpo como assinatura invisível
O fator mais decisivo na atração dos mosquitos parece estar no cheiro individual de cada pessoa. Essa “assinatura química” é formada por compostos produzidos pela pele e pela microbiota, que variam de indivíduo para indivíduo.
Segundo pesquisadores, os seres humanos liberam entre 300 e 1.000 compostos odoríferos diferentes. Essa combinação cria um perfil único que pode ser mais ou menos atrativo para os insetos.
“Não é um mito: não somos todos iguais diante do apetite dos mosquitos. Mas também não somos ímãs o tempo todo”, acrescentou Simard, reforçando que a atração varia ao longo do dia e das condições do corpo.
Mitos populares e o que a ciência já descartou
Ao longo dos anos, várias explicações populares surgiram para justificar quem sofre mais picadas, mas muitas delas já foram descartadas pela ciência. Entre elas está a ideia de que o tipo sanguíneo seria determinante.
“A diferença entre os grupos sanguíneos não tem uma base científica sólida”, explicou Simard. Estudos com poucos participantes não conseguiram confirmar essa relação de forma consistente.
Outros fatores, como cor da pele, olhos ou cabelo, também não mostram influência direta. O que realmente pesa é a combinação de odores e substâncias liberadas pela pele, que muda de pessoa para pessoa.
Hábitos, estudos e o que ainda está sendo descoberto
Pesquisas recentes mostram que até hábitos do dia a dia podem interferir na atração dos mosquitos. O consumo de álcool, por exemplo, pode alterar a temperatura corporal e o odor da pele, aumentando o risco de picadas.
Experimentos realizados na África indicaram que voluntários que consumiram cerveja local foram mais atrativos para mosquitos do tipo Anopheles, vetor da malária, em comparação com quando ingeriam água.
Os cientistas também observam que mudanças ambientais, como o aquecimento global, estão ampliando a presença de espécies como o mosquito-tigre em novas regiões, o que torna o estudo ainda mais urgente.
Prevenção e controle no dia a dia
Diante desse cenário, especialistas reforçam medidas simples de proteção. Roupas compridas, mosquiteiros e repelentes continuam sendo as formas mais eficazes de evitar picadas em áreas de risco.
Além disso, recomenda-se atenção a hábitos que podem influenciar a atração, como alimentação leve e consumo moderado de álcool, especialmente em locais com alta presença de mosquitos.
Enquanto a ciência avança na identificação exata dos compostos responsáveis pela atração, uma coisa já está clara: cada corpo carrega uma combinação química única que pode transformar qualquer pessoa em alvo preferencial ou não.






