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Publicações nas redes sociais que associam o camarão à expressão "barata do mar" frequentemente viralizam e despertam reações que vão da curiosidade ao repúdio
Apesar da repercussão, especialistas garantem que essa comparação não tem base científica e se trata apenas de uma crença popular. / Pixabay
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Publicações nas redes sociais que associam o camarão à expressão “barata do mar” frequentemente viralizam e despertam reações que vão da curiosidade ao repúdio. Apesar da repercussão, especialistas garantem que essa comparação não tem base científica e se trata apenas de uma crença popular.
O biólogo Alex Ribeiro, de 46 anos, explica que a ideia surgiu a partir de semelhanças visuais entre os dois animais, mas não indica qualquer relação direta do ponto de vista biológico. “É um mito. Não existe comprovação científica que ligue camarões e baratas dessa forma”, afirma.
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Outro fator que reforça o mito é a ideia de que os dois se alimentam de sujeira. PixabaySegundo o especialista, camarões e baratas pertencem ao grupo dos artrópodes, o que significa que ambos possuem exoesqueleto e patas articuladas. No entanto, essa é praticamente a única característica em comum entre eles.
Enquanto os camarões vivem em ambientes aquáticos, principalmente no mar, mas também em rios, as baratas são animais terrestres, frequentemente encontrados em áreas urbanas e associados à presença humana.
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Outro fator que reforça o mito é a ideia de que os dois se alimentam de sujeira. Alex esclarece que essa interpretação é simplista e não reflete o papel ecológico de cada espécie.
Animais que vivem no fundo do mar podem acabar ingerindo partículas presentes no ambiente, como microplásticos. PixabayAs baratas têm grande capacidade de adaptação e consomem resíduos orgânicos, especialmente aqueles gerados pelo homem, como restos de comida e lixo. Já os camarões são classificados como detritívoros, alimentando-se de matéria orgânica natural presente no fundo de mares e rios, além de pequenos organismos.
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“Eles vivem próximos ao fundo e consomem detritos e micro-organismos que fazem parte daquele ecossistema”, explica.
O especialista também chama atenção para os efeitos da poluição nos oceanos. Animais que vivem no fundo do mar podem acabar ingerindo partículas presentes no ambiente, como microplásticos.
“Isso já foi observado em espécies como mariscos e lagostas. No caso dos camarões, ainda não há estudos específicos que comprovem essa ingestão, mas é uma possibilidade”, destaca.
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Camarão é muito consumido. PixabayPara o biólogo, a comparação entre camarões e baratas é equivocada, já que ambos ocupam habitats e desempenham funções completamente diferentes na natureza.
“Apesar de algumas semelhanças por serem artrópodes, são animais de ambientes distintos e com hábitos diferentes”, reforça.
Além disso, ele destaca a relevância dos camarões para a economia e a gastronomia, sendo considerados uma iguaria em diversas partes do mundo. Já as baratas têm papel importante na cadeia alimentar, contribuindo para a decomposição de matéria orgânica.
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