Um novo estudo conduzido por cientistas no Chile revelou um mecanismo até então desconhecido que pode explicar como a fumaça do cigarro desencadeia danos graves aos pulmões e ao sistema cardiovascular. A descoberta aponta para uma peça molecular específica envolvida nesse processo silencioso.
A pesquisa, publicada na revista científica Biomedicine & Pharmacotherapy, indica o receptor P2Y6 como elemento central na evolução da hipertensão arterial pulmonar associada ao tabagismo.
Embora ainda em fase experimental, o achado pode abrir caminhos para terapias futuras voltadas a reduzir os impactos do cigarro no organismo humano.
O que está por trás da lesão pulmonar
A investigação liderada por pesquisadores da Universidade das Américas (UDLA) e da Universidade Autônoma do Chile identificou o receptor P2Y6 como peça-chave no processo de dano vascular causado pela fumaça do cigarro. O estudo aprofunda um mecanismo que até então não tinha explicação clara na ciência.
Segundo o pesquisador Diego Rojas, ao jornal La Tercera, “não havia evidências de que esse receptor P2Y6 estivesse relacionado a uma diminuição dos danos causados pela fumaça do cigarro.” A descoberta ajuda a entender como o tabaco afeta estruturas pulmonares de forma progressiva e silenciosa.
A análise também reforça a ligação entre tabagismo e hipertensão arterial pulmonar, condição que torna as artérias dos pulmões mais rígidas e estreitas. Com isso, o coração passa a trabalhar sob maior pressão, o que pode levar a complicações graves ao longo do tempo.
Experimento em laboratório revela mecanismo oculto
Para chegar aos resultados, os cientistas expuseram ratos à fumaça de cigarro por seis meses, simulando um cenário de agressão contínua ao sistema respiratório. Em seguida, bloquearam o receptor P2Y6 com o composto experimental MRS2578.
Os testes incluíram ecocardiografia, análise de tecidos e estudos de expressão gênica. O objetivo foi observar como o organismo reagia ao bloqueio da proteína envolvida no processo inflamatório e vascular desencadeado pelo tabaco.
Os resultados mostraram redução significativa da remodelação vascular pulmonar e proteção do ventrículo direito do coração. O estudo sugere que interromper essa via pode reduzir danos estruturais associados ao tabagismo crônico.
Possíveis caminhos para futuras terapias
Os pesquisadores destacam que a descoberta ainda está em fase inicial, mas abre novas possibilidades para o desenvolvimento de medicamentos. O foco seria atuar diretamente no receptor P2Y6 para reduzir os efeitos nocivos da fumaça do cigarro.
“Com esta pesquisa, descobrimos que a proteína P2Y6 é a peça-chave que faltava no quebra-cabeça”, afirmou Rojas. Ele explica que a molécula está diretamente ligada ao estreitamento das artérias pulmonares após a exposição ao tabaco.
A pesquisadora Andrea Méndez reforça que, apesar do caráter experimental, os resultados podem contribuir para futuras terapias. O próximo passo é avançar para estudos clínicos e avaliar como esse mecanismo se comporta em seres humanos.







