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Perigo invisível, choques elétricos podem ocorrer em piscinas; especialista dá dicas

Acidentes podem ocorrer quando há falhas em instalações elétricas relacionados ao funcionamento da instalação

Maria Clara Pasqualeto

Publicado em 08/01/2026 às 17:50

Atualizado em 13/01/2026 às 20:22

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Com a chegada do verão, o uso de piscinas aumenta, mas a falta de cuidados com instalações elétricas pode transformar momentos de lazer em situações de alto risco / Unsplash/Toni Cuenca

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Principalmente com o calor intenso do verão, as piscinas se tornam muito populares como uma forma de se refrescar. No entanto, o que muitas pessoas não sabem é que, quando os equipamentos utilizados são inadequados, um momento de diversão pode se tornar extremamente perigoso devido a riscos de choques elétricos. 

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Segundo o engenheiro Ricardo Carvalhal, devido a características próprias e compostos presentes na piscina, a água da piscina é caracterizada como altamente condutiva, facilitando a ocorrência de acidentes.

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"A água pura é um isolante elétrico ruim. No entanto, a água de piscina é altamente condutiva. Isso ocorre porque ela não é pura; ela contém grande quantidade de íons dissolvidos, provenientes de produtos como cloro, sais, entre outros. Quando uma pessoa entra em contato com essa água, seu corpo torna-se parte do circuito elétrico. A corrente flui através de órgãos vitais, tornando um choque de baixa tensão potencialmente fatal". 

Do mesmo modo, Carvalhal explica que as principais causas de acidentes incluem fatores como falhas nas instalações e manutenção inadequada que, quando em contato com a água, podem apresentar riscos de choques elétricos.

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"As causas, invariavelmente, derivam de falhas de instalação, manutenção inadequada ou o uso incorreto de equipamentos. Um dos erros mais graves e mais comuns é a ausência de dispositivo DR (Diferencial Residual), um equipamento de segurança obrigatório que detecta pequenas fugas de corrente elétrica e desliga o circuito em milissegundos, antes que possa causar uma fibrilação cardíaca. A sua ausência ou falha é uma sentença de risco elevado".

Ainda segundo o profissional, outros potenciais riscos incluem:

  • Aterramento e Equipotencialização Incorretos: Todos os componentes metálicos da piscina e em seu entorno (escadas, grades, estruturas de bombas, refletores) devem estar conectados a um mesmo sistema de aterramento. Isso se chama equipotencialização. Sem isso, uma falha pode criar uma diferença de potencial fatal entre a água e um corrimão, por exemplo.
  • Iluminação Subaquática Defeituosa: Refletores e luminárias submersas, se não forem blindados, instalados corretamente ou se sofrerem danos em sua vedação, podem energizar toda a massa de água. O uso de iluminação de baixa tensão (12V) com transformador adequado reduz drasticamente o risco, mas não elimina a necessidade de instalação criteriosa.
  • Fiação e Emendas Inadequadas: O uso de fios e cabos não apropriados para áreas úmidas, além de emendas malfeitas ("gambiarras") sem a devida isolação e proteção, são pontos de falha iminentes.

Como o choque elétrico ocorre?

A segurança e proteção adequada em piscinas se torna tão essencial que, em muitos casos, os acidentes elétricos podem se tornar até mesmo fatais, destaca Carvalhal. Além do mau funcionamento de dispositivos e alta condutividade da água de piscina, o profissional explica que o corpo humano serve como um excelente condutor de energia, fator esse que pode influenciar em choques elétricos. 

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"Essa alta condutividade é o que torna o choque elétrico na piscina tão perigoso. A corrente elétrica, ao encontrar um caminho de baixa resistência (a água condutiva), espalha-se por todo o volume. Quando uma pessoa entra em contato com essa água energizada, seu corpo — que também é um bom condutor — torna-se parte do circuito elétrico. A corrente flui através de órgãos vitais, como o coração, tornando um choque de baixa tensão potencialmente fatal".

Quando começa a trovejar, o engenheiro cita que risco pode se tornar ainda mais ameaçador. Mesmo que o raio não atinja diretamente a piscina, ainda é um sinal de alerta que deve ser considerado em prol à segurança e proteção de pessoas. 

"O risco é imenso e real, mesmo sem o raio atingir diretamente a piscina. Um raio que cai a centenas de metros de distância pode induzir correntes elétricas perigosíssimas no solo. Essas correntes podem ser transferidas para a piscina através de tubulações metálicas de água e esgoto. A recomendação deve ser tratada com máxima seriedade: ao primeiro sinal de raios ou trovões, saia imediatamente da piscina e procure abrigo seguro". 

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Com a chegada do verão, o uso de piscinas aumenta, mas a falta de cuidados com instalações elétricas pode transformar momentos de lazer em situações de alto risco. Unsplash/Toni Cuenca
Com a chegada do verão, o uso de piscinas aumenta, mas a falta de cuidados com instalações elétricas pode transformar momentos de lazer em situações de alto risco. Unsplash/Toni Cuenca
Ao primeiro sinal de raios ou trovões, a recomendação é sair imediatamente da piscina, já que descargas elétricas podem atingir a água mesmo à distância. Unsplash/Jesse Gardner
Ao primeiro sinal de raios ou trovões, a recomendação é sair imediatamente da piscina, já que descargas elétricas podem atingir a água mesmo à distância. Unsplash/Jesse Gardner
A água da piscina é altamente condutiva devido aos produtos químicos dissolvidos. Falhas elétricas podem energizar toda a água e colocar vidas em risco. Unsplash/Emilio Garcia
A água da piscina é altamente condutiva devido aos produtos químicos dissolvidos. Falhas elétricas podem energizar toda a água e colocar vidas em risco. Unsplash/Emilio Garcia
A água da piscina contém íons de produtos químicos como cloro e sais, o que a torna altamente condutiva e potencializa o risco de choques elétricos. Unsplash/Diego Acosta
A água da piscina contém íons de produtos químicos como cloro e sais, o que a torna altamente condutiva e potencializa o risco de choques elétricos. Unsplash/Diego Acosta
Sensação de formigamento, luzes piscando ou disjuntores desarmando são sinais de alerta: ao perceber qualquer anormalidade, saia da piscina e procure um profissional qualificado. Unsplash/Ferdinand Asakome
Sensação de formigamento, luzes piscando ou disjuntores desarmando são sinais de alerta: ao perceber qualquer anormalidade, saia da piscina e procure um profissional qualificado. Unsplash/Ferdinand Asakome

Como se prevenir de acidentes e notar sinais de riscos?

Considerando o perigo que uma atividade simples e aparentemente "inofensiva" pode ocasionar, o especialista alerta o que não se deve fazer em piscinas para evitar possíveis riscos. Algumas precauções mencionadas são:

  • Nunca nadar durante tempestades com raios
  • Não utilizar aparelhos eletrônicos ligados à tomada perto da piscina
  • Contratar sempre profissionais qualificados para qualquer serviço elétrico
  • Ao sentir qualquer formigamento, saia da água imediatamente sem tocar em partes metálicas e contate um profissional.

ATENÇÃO: Os sinais abaixo indicam potenciais riscos de choques elétricos. Caso forem notados, saia imediatamente da piscina e entre em contato com um engenheiro eletricista ou outro profissional qualificado. 

•    Sensação de "formigamento" ou leve choque ao tocar na água ou em partes metálicas.
•    Luzes da piscina piscando ou com funcionamento intermitente.
•    Disjuntores ou o Dispositivo DR desarmando com frequência.
•    Corrosão acelerada em componentes metálicos (escadas, parafusos, etc.).

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Atitudes simples de prevenção

O engenheiro de segurança do trabalho, Paulo Rogério Gonçalves, complementa as recomendações dadas por Carvalhal, explicando que alguns procedimentos são fundamentais à prevenção de acidentes. Entre eles, estão: 

  • Manutenção da Fiação: Certifique-se de que a fiação elétrica da sua casa esteja em boas condições e que as instalações sejam realizadas por profissionais qualificados e esteja em conformidade com as normas de segurança, incluindo a presença de aterramento e disjuntores. Fios desencapados ou danificados são um grande risco.
  • Inspeção de Aparelhos: Verifique regularmente os cabos de alimentação de eletrodomésticos, ferramentas elétricas e outros aparelhos. Se o cabo estiver danificado, substitua-o ou repare-o antes de usar o aparelho.
  • Evite Sobrecargas: Não sobrecarregue tomadas com múltiplos adaptadores ("T" ou benjamins). Use protetores contra surtos ou réguas de tomadas certificadas, se necessário, mas respeite a capacidade de carga da instalação.
  • Atenção em Áreas Úmidas: Evite usar equipamentos elétricos, como secadores de cabelo, rádios ou carregadores, perto de pias, banheiras ou chuveiros, a menos que sejam especificamente projetados para tal uso (com isolamento apropriado).
  • Desligue da Tomada: Ao limpar equipamentos ou realizar manutenção, desligue-os da tomada. Além disso, puxe o plugue, não o fio, para evitar danos ao cabo e à conexão.
  • Instalação de Dispositivos de Segurança: Considere a instalação de Dispositivos de Corrente Diferencial Residual (DR) no quadro de distribuição, que são projetados para cortar a energia rapidamente em caso de fuga de corrente, prevenindo choques.
  • Instrua as Crianças: Ensine as crianças sobre os perigos da eletricidade, como não colocar objetos metálicos nas tomadas e evitar brincadeiras perto de fontes de energia.
     

ALERTA: O uso de aparelhos eletrônicos (celulares carregando, rádios, caixa de som) é extremamente perigoso e proibido pelas normas técnicas. A NBR 5410 estabelece distâncias mínimas de segurança para a instalação de tomadas em relação à borda da piscina, justamente para evitar que um aparelho caia na água e energize-a instantaneamente, criando um cenário de eletrocussão certa.

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