Peixes contaminados por antibiótico acendem alerta após descoberta inédita

Resíduos de um medicamento usado na criação de salmão foram detectados em frutos do mar selvagens a até 14 quilômetros do local de aplicação

Embora autoridades afirmem que não há risco à saúde, a descoberta preocupa o setor pesqueiro e pode afetar mercados de exportação (Foto: Freepik)

Embora autoridades afirmem que não há risco à saúde, a descoberta preocupa o setor pesqueiro e pode afetar mercados de exportação (Foto: Freepik)

Uma descoberta inesperada chamou a atenção de autoridades ambientais e do setor pesqueiro na Tasmânia. Resíduos de um antibiótico utilizado na criação de salmões foram encontrados em peixes e outros frutos do mar selvagens a 14 quilômetros de distância do local onde o medicamento foi aplicado.

Embora os níveis detectados sejam considerados baixos e não representem risco imediato à segurança alimentar, especialistas e representantes da pesca comercial acompanham o caso com preocupação devido aos possíveis impactos ambientais e econômicos.

O episódio reacendeu o debate sobre o uso de antibióticos na aquicultura e levantou questionamentos sobre até onde substâncias utilizadas em fazendas marinhas podem se espalhar pelo ambiente.

Descoberta surpreende setor de frutos do mar

A confirmação veio do Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente da Tasmânia, que identificou a presença do antibiótico florfenicol em espécies selvagens capturadas a 14 quilômetros do local onde o tratamento foi realizado em salmões de cultivo.

A detecção ocorreu em uma área que já havia sido fechada temporariamente para atividades pesqueiras como medida preventiva. Segundo o órgão, a restrição foi adotada em conjunto com representantes da indústria de frutos do mar para evitar riscos comerciais.

O caso ganhou destaque porque análises anteriores já haviam encontrado traços da substância em peixes, abalones e lagostas a mais de 10 quilômetros das fazendas de salmão. Agora, a nova distância registrada amplia as discussões sobre o alcance do medicamento no ambiente marinho.

Por que o antibiótico foi utilizado

O florfenicol recebeu autorização emergencial para uso após um grave episódio de mortalidade atingir os criadouros de salmão da região. Entre janeiro e março do ano passado, mais de 13 mil toneladas de peixes morreram em decorrência de uma doença bacteriana.

Diante do cenário, produtores recorreram ao antibiótico em nove áreas de cultivo localizadas nas águas do sudeste da Tasmânia. Em apenas uma dessas concessões, mais de 2,7 toneladas da substância foram utilizadas durante um período de dois meses.

Mesmo com a adoção da medida, os desafios permaneceram. No verão seguinte, cerca de 9 mil toneladas de peixes morreram, demonstrando que o problema sanitário continuou afetando a atividade aquícola.

Mercados internacionais acompanham situação

Além das questões ambientais, a descoberta preocupa exportadores. Muitos mercados internacionais adotam padrões extremamente rígidos para resíduos de antibióticos em espécies que não sejam salmão, o que pode gerar barreiras comerciais mesmo quando os níveis detectados são mínimos.

Por esse motivo, autoridades seguem realizando testes e compartilhando informações com a indústria pesqueira. O objetivo é evitar prejuízos enquanto novas análises são conduzidas em diferentes áreas costeiras.

Autoridades descartam risco para consumidores

De acordo com o Departamento de Recursos Naturais e Meio Ambiente, as concentrações encontradas até agora são extremamente baixas e não representam um risco para a segurança alimentar. Ainda assim, a simples detecção do composto exige atenção por causa das exigências comerciais internacionais.

Paralelamente, a Agência de Proteção Ambiental analisou milhares de amostras de água e sedimentos coletadas em diferentes profundidades e distâncias dos criadouros. O estudo buscou avaliar os possíveis efeitos do florfenicol nos ecossistemas marinhos.

Após examinar mais de 4 mil resultados laboratoriais, a agência concluiu que o uso do antibiótico durante o período avaliado apresentou baixo risco de causar danos inaceitáveis à vida marinha. Apesar disso, o monitoramento continuará para acompanhar possíveis impactos de longo prazo e responder às dúvidas que ainda cercam o caso.