O "Homem do Saco" carregava crianças desobedientes e nunca mais as devolvia; essa era a lenda / Imagem ilustrativa/IA/Gemini
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“Se não entrar agora, o Homem do Saco vai te levar!”. Se você cresceu no Brasil entre as décadas de 60 e 90, certamente ouviu essa frase. Mas, enquanto tremíamos de medo sob os lençóis, a realidade por trás desse "monstro" era muito mais complexa do que um simples conto de fadas sombrio. E os registros policiais (ou a falta deles) provam isso.
O Homem do Saco não foi apenas uma lenda; ele foi uma ferramenta de controle social desenhada para manter as crianças longe das ruas e dentro dos portões. E, justamente por causa disso, não há nenhum registro policial sobre um indivíduo que andava por aí "ensacando" crianças desobedientes.
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A lenda brasileira não nasceu do nada. Ela se alimentou da figura de andarilhos e catadores de recicláveis que, na falta de uma rede de apoio, perambulavam pelas cidades com grandes sacos nas costas.
O Estigma: O medo transformou pessoas em situação de vulnerabilidade em vilões. O "estranho" tornou-se o perigo, e o saco (que carregava apenas o sustento daquelas pessoas) virou o cárcere imaginário de crianças desobedientes.
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No Nordeste, o mito ganhava tons ainda mais macabros com o Papa-Figo. Dizia-se que um homem rico, sofrendo de uma doença rara, precisava do fígado de crianças saudáveis para se curar.
Essa versão da lenda tocava em um medo real e traumático: o sequestro infantil. Com o tempo, o saco de estopa evoluiu. Nos anos 90, ele se modernizou e virou a "Kombi Branca" ou a "Gangue do Palhaço", provando que o mito se adapta à tecnologia, mas o pânico coletivo permanece o mesmo.
Psicologicamente, o Homem do Saco existiu como um agente de controle. Era mais fácil para os pais assustarem os filhos com um monstro do que explicar os perigos reais da violência urbana.
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Hoje, o mito sobrevive em grupos de WhatsApp, com vídeos falsos e áudios alarmistas. O Homem do Saco nunca precisou de um nome ou de uma certidão de nascimento: ele vive na lacuna entre o nosso medo do desconhecido e a necessidade de proteger quem amamos.