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De repúblicas socialistas de 12 dias no Chile a movimentos separatistas no Brasil, entenda por que esses governos tentaram a soberania e por que desapareceram tão rápido
Na história, há registros de territórios que conseguiram estabelecer fronteiras minimamente definidas / Freepik/snowing
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Ao longo da história, diversas regiões do mundo proclamaram independência e chegaram a organizar governos próprios, mas por períodos extremamente curtos.
Enquanto países como Portugal, fundado oficialmente em 1143, consolidaram-se ao longo de séculos, outros experimentos nacionais não deram tão certo e acabaram desaparecendo em questão de meses ou poucos anos.
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Na história, há registros de territórios que conseguiram estabelecer fronteiras minimamente definidas, criar estruturas de governo funcionais e até mesmo mobilizar parte da população em torno do ideal de soberania, mas que acabaram derrotados por forças políticas, militares ou econômicas superiores.
A América do Sul, por exemplo, concentra diversos desses episódios. Até mesmo o Brasil registrou movimentos que resultaram na criação de repúblicas que sobreviveram por apenas alguns meses.
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O primeiro grande movimento separatista no território brasileiro ocorreu no atual Rio Grande do Sul, durante o que hoje é conhecido como a Revolução Farroupilha. Em 1836, fazendeiros gaúchos insatisfeitos com o governo imperial proclamaram a República Rio-Grandense.
O novo governo organizou bandeira, estrutura administrativa própria e até moeda. Houve tentativa de expansão para Santa Catarina, mas o movimento jamais foi reconhecido internacionalmente. Após quase uma década de conflito, o território foi reincorporado ao Brasil em 1845.
Em julho de 1839, ainda durante a revolução, os farroupilhas tomaram Laguna, no litoral de Santa Catarina, e proclamaram a República Juliana.
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A proposta era unir a nova república à República Rio-Grandense, formando um bloco independente no sul do país. No entanto, a República Juliana durou apenas quatro meses. Em novembro do mesmo ano, tropas imperiais retomaram a cidade.
No Nordeste, ainda antes da independência do Brasil, Pernambuco liderou um dos primeiros movimentos republicanos das Américas.
Em 1817, a província declarou independência de Portugal e proclamou a República de Pernambuco, com governo, bandeira e constituição próprios.
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No entanto, a experiência durou apenas 75 dias antes de ser reprimida pelas tropas portuguesas.
Após a independência do Brasil, em 1822, novas tensões surgiram na região. Em 1824, Pernambuco, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e parte da Bahia proclamaram a Confederação do Equador, defendendo um regime republicano e maior autonomia regional frente ao Império de Dom Pedro I.
O movimento foi derrotado militarmente e os territórios reintegrados ao Brasil pouco tempo depois.
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Ainda no Norte do país, o Pará foi palco de uma das revoltas mais violentas do período imperial: a Cabanagem, iniciada em 1835. Os rebeldes chegaram a controlar Belém, mas o conflito resultou em cerca de 40 mil mortes antes de ser eliminado definitivamente em 1840.
Em praticamente todos os casos brasileiros, os movimentos fracassaram por razões semelhantes: o governo imperial – primeiro português, depois brasileiro – dispunha de uma estrutura militar maior, melhores recursos e principalmente uma organização superior. Províncias isoladas dificilmente conseguiam enfrentar o poder central.
Na América do Norte, um dos casos mais conhecidos na história é o de Louis Riel, líder indígena que organizou resistência contra o governo canadense no século XIX.
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Em 19 de março de 1885, em Saskatchewan, Riel declarou independência da região e instituiu um governo provisório.
Durante somente 53 dias, liderou confronto contra o exército canadense. O movimento foi derrotado, Riel capturado e julgado por traição. O governo provisório durou menos de dois meses.
Em 1820, a Argentina ainda vivia intensas disputas internas entre províncias e o governo central de Buenos Aires.
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Nesse cenário, o general Francisco Ramírez proclamou a República de Entre Ríos, formada pelas províncias de Entre Ríos e Corrientes. Ele organizou governo, exército e bandeira, autointitulando-se Supremo da região.
A proposta era estabelecer uma federação independente. Em menos de um ano, em 1821, Ramírez foi derrotado e morto em batalha. A república foi dissolvida.
No mesmo ano, a província de Tucumán seguiu um caminho semelhante. Sob a liderança de Bernabé Aráoz, foi proclamada a República de Tucumán. Neste caso, houve formação de congresso, forças armadas e até moeda própria.
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No entanto, sem apoio militar suficiente nem sustentação política regional, o governo durou pouco mais de um ano. Em 1821, o território foi reintegrado às Províncias Unidas do Rio da Prata.
Em 1811, a cidade de Cartagena de Indias, atual Colômbia, proclamou independência da Espanha. Uma das regiões mais ricas do Caribe à época, organizou governo próprio, constituição e exército.
A jovem república resistiu por quatro anos. Porém, em 1815, o general espanhol Pablo Morillo cercou a cidade com cerca de 10 mil homens. O desfecho foi trágico: milhares morreram de fome, doenças e execuções. Cartagena voltou ao controle espanhol.
Em 1838, durante a formação da Confederação Peru-Boliviana, Andrés de Santa Cruz estabeleceu um território com autonomia ampliada dentro da Bolívia, conhecido como República de Santa Cruz.
Com governo local, controle de impostos e articulações militares próprias, o território representava uma consolidação do poder regional.
No entanto, a iniciativa provocou reação externa. Em 1839, após a Batalha de Yungay, forças chilenas derrotaram a Confederação. Santa Cruz foi exilado e o projeto dissolvido.
Em 1932, em meio aos efeitos da Grande Depressão, militares liderados pelo general Marmaduke Grove proclamaram a República Socialista do Chile.
O governo defendia reformas econômicas, redistribuição de terras e enfrentamento à influência estrangeira. Sem um apoio consistente das Forças Armadas, da elite ou da população, o regime durou apenas 12 dias antes de ser derrubado.
Em 1896, durante o ciclo da borracha, a cidade de Iquitos, no Peru, tornou-se centro de um movimento separatista liderado por Guillermo Cervantes. A elite local, fortalecida economicamente, proclamou a República Livre de Loreto.
Foi organizado governo provisório, arrecadação de impostos e pequeno contingente armado com embarcações para controle do rio Amazonas. Em três meses, tropas enviadas de Lima retomaram o território e encerraram o movimento.
*As informações são do canal 'Capital Financeiro', no Youtube.