Quando se fala em consumo de carne, muita gente aposta no Brasil, nos Estados Unidos ou na Argentina. / Freepik
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Quando se fala em consumo de carne, muita gente aposta no Brasil, nos Estados Unidos ou na Argentina. Mas o topo do ranking mundial pertence a um pequeno país insular do Pacífico que pouca gente colocaria nessa disputa. De acordo com dados da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), compilados pelo World Population Review, o maior consumidor de carne do planeta é o Reino de Tonga.
Localizado na Oceania, a oeste da Austrália, Tonga lidera o ranking mundial com um consumo médio de 148 quilos de carne por pessoa ao ano. O dado chama ainda mais atenção quando se considera que o país, menor que o estado de São Paulo em extensão territorial, praticamente não produz carne vermelha em larga escala, dependendo majoritariamente de importações para abastecer a população.
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Na sequência do ranking aparecem países com perfis culturais e geográficos bastante distintos. Mongólia, São Vicente e Granadinas, Hong Kong e Estados Unidos completam o top 5. O Brasil aparece apenas na 15ª posição, com 98,8 kg por pessoa, atrás também da Argentina, que ocupa o 7º lugar.
Entre os 20 maiores consumidores do mundo, há forte presença de ilhas e territórios pequenos, além de países com tradição pecuária consolidada. Espanha, Portugal, Croácia e Islândia também figuram na lista.
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Apesar de liderar o ranking, Tonga não é um grande produtor de carne. O alto consumo está diretamente ligado à popularização dos “mutton flaps”, pedaços gordurosos da barriga do cordeiro, considerados cortes de baixo valor comercial.
Esses restos são exportados principalmente pela Austrália e pela Nova Zelândia, grandes produtores de carne ovina, para países mais pobres do Pacífico. Em Tonga, o alimento se tornou barato, acessível e amplamente consumido.
O impacto, no entanto, é grave. Tonga está entre os países com maiores índices de obesidade do mundo, e cerca de 40% da população adulta convive com diabetes tipo 2, segundo dados internacionais de saúde.
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Quando o consumo é analisado por categoria, os rankings mudam bastante. A Argentina lidera o consumo de carne vermelha, seguida por Zimbábue, Estados Unidos e Brasil, que ocupa a quinta posição nesse recorte.
No consumo de frango, predominam novamente países insulares, como São Vicente e Granadinas, Tonga, Ilhas Marshall e Samoa. Já a carne suína é culturalmente mais forte na Península Balcânica, com Croácia, Espanha e Montenegro no topo.
O consumo de cordeiro e cabra é liderado pela Mongólia, reflexo direto do modo de vida nômade e da tradição pecuária do país.
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O Brasil, que se tornou em 2025 o maior produtor de carne bovina do mundo, mantém um consumo elevado, mas concentrado principalmente na carne vermelha.
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O país não aparece entre os maiores consumidores de frango ou carne suína per capita, o que reflete hábitos alimentares mais diversificados e uma produção fortemente voltada à exportação.
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Estudos da Universidade de Oxford apontam que, em várias ilhas do Pacífico, a colonização europeia alterou profundamente a alimentação tradicional.
Práticas de pesca foram abandonadas, áreas de agricultura familiar deram lugar à mineração ou à monocultura, e o solo perdeu fertilidade.