O calor extremo deixou de ser um alerta distante e passou a representar um risco real para milhões de pessoas. Um estudo publicado na revista Nature Communications revelou que ondas de calor já atingiram níveis considerados fatais em diferentes partes do planeta.
A pesquisa analisou episódios registrados na Ásia, Europa e Austrália, responsáveis por quase 80 mil mortes notificadas. Segundo os pesquisadores, houve momentos em que a combinação de calor intenso e alta umidade poderia matar pessoas acima de 65 anos após poucas horas sob o sol.
O cenário preocupa ainda mais porque esses eventos se tornaram mais frequentes nas últimas décadas. Além disso, especialistas alertam que os impactos já podem ser sentidos no Brasil, principalmente nos grandes centros urbanos.
Calor extremo avança e preocupa especialistas
De acordo com Tercio Ambrizzi, professor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, as ondas de calor estão mais intensas e duradouras. O pesquisador explica que o fenômeno ganhou força principalmente nos últimos 20 anos.
“Nós temos tido ondas de calor mais intensas, mais frequentes e mais duradouras”, afirma ao Jornal da USP. O aumento das temperaturas amplia os riscos para a saúde humana.
Além disso, áreas urbanas sofrem ainda mais com o calor excessivo. O concreto, o asfalto e a falta de árvores fazem as cidades acumularem temperatura ao longo do dia e da noite, criando as chamadas ilhas de calor.
Quem mais sofre com as altas temperaturas
Os impactos do calor não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas aparecem entre os grupos mais vulneráveis durante períodos de temperaturas extremas.
Bairros com pouca arborização e alta densidade populacional também costumam registrar temperaturas maiores. Em muitos casos, essas regiões coincidem com áreas de baixa renda, o que aumenta a desigualdade climática nas cidades.
Segundo Ambrizzi, muitas mortes relacionadas ao calor acabam nem sendo registradas dessa forma. “As ondas de calor causam mortes no Brasil, apesar de subnotificadas”, explica o pesquisador.
“Muitas vezes, a causa direta do óbito não é registrada nos hospitais. A pessoa entra com sintomas relacionados a uma onda de calor, mas isso acaba não sendo documentado”, completa o especialista.
Sinais do corpo podem indicar perigo
O corpo humano costuma dar sinais quando enfrenta dificuldade para lidar com temperaturas muito elevadas. Sintomas como sede intensa, fraqueza, fadiga, tontura e dores de cabeça exigem atenção imediata.
No entanto, alguns sinais podem indicar uma situação mais grave. Confusão mental, vômitos e pele muito seca podem representar risco elevado e demandam atendimento médico rápido para evitar complicações.
Especialistas alertam que ignorar esses sintomas pode ser perigoso, sobretudo durante ondas de calor prolongadas. Por isso, manter hidratação constante e evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes faz diferença.
O que pode reduzir os efeitos das ondas de calor
Para o pesquisador da USP, as ondas de calor mais intensas já fazem parte da realidade climática atual. Diante disso, cidades precisam se adaptar rapidamente para reduzir impactos e salvar vidas.
Entre as medidas apontadas estão sistemas de alerta, criação de refúgios térmicos e planos emergenciais de atendimento à população. Além disso, o especialista destaca uma solução considerada essencial para o futuro urbano.
“Muito mais áreas verdes”, enfatiza Ambrizzi ao defender a ampliação da arborização nas cidades. A presença de árvores ajuda a reduzir temperaturas e melhora a qualidade de vida em regiões mais quentes.






