Uma das aves mais raras do Brasil, a rolinha-do-planalto, terá sua observação suspensa durante todo o ano de 2025. A decisão, anunciada pela SAVE Brasil, responsável pela Reserva Natural Rolinha-do-planalto em Botumirim (MG), visa proteger a espécie, que corre risco de extinção e possui atualmente apenas 11 exemplares conhecidos vivendo na região.
A medida foi tomada após um censo anual apontar não apenas a baixa quantidade de aves, mas também alterações no comportamento desses animais.
Pesquisadores identificaram que a rolinha-do-planalto passou a se esconder em áreas de vegetação mais fechada, evitando o contato humano. Essa mudança sugere um aumento no estresse ambiental causado, em parte, pela presença de turistas.
Mesmo sendo considerada uma atividade de baixo impacto, a observação de aves acabou interferindo no habitat natural da espécie.
Por isso, as visitas serão totalmente suspensas ao longo de 2025, como uma forma de garantir melhores condições para a reprodução e a sobrevivência da rolinha-do-planalto.
Turismo afetado, mas com alternativas
Nos últimos dez anos, mais de duas mil pessoas, entre brasileiros e estrangeiros, visitaram Botumirim em busca da rara rolinha-do-planalto. A procura movimentou a economia da cidade, especialmente com o trabalho de guias especializados na observação de aves.
Com a suspensão das visitas, turistas que já haviam agendado viagens para 2025 poderão solicitar o ressarcimento de doações realizadas.
Além disso, o assistente de campo local continuará disponível, gratuitamente, para acompanhar visitantes interessados em conhecer outras espécies da região.
Mesmo sem a possibilidade de ver a rolinha-do-planalto, Botumirim segue sendo um importante destino para os amantes de aves.
A região abriga espécies da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga, além de aves exclusivas da Cordilheira do Espinhaço.
A luta pela preservação da rolinha-do-planalto
A situação crítica da rolinha-do-planalto está diretamente ligada à destruição histórica do Cerrado brasileiro.
Desde sua redescoberta em Botumirim, a espécie apresentou oscilações em sua população, que já chegou a ter apenas dois casais reprodutivos. Atualmente, esse número subiu para cinco, o maior já registrado.
Havia uma expectativa de que, após a redescoberta da espécie e a identificação de seu canto e habitat, novas populações fossem encontradas em outras regiões do Brasil.
No entanto, após mais de dez anos de buscas, nenhum outro local foi identificado com presença da rolinha-do-planalto.
A pausa nas visitas em 2025 é vista como uma oportunidade fundamental para garantir a continuidade da espécie e reforçar os esforços de preservação.
A expectativa é de que essa medida ajude a reduzir o estresse ambiental, oferecendo um ambiente mais seguro para que a rolinha-do-planalto possa se reproduzir e, no futuro, ter melhores chances de sobrevivência.
