Se você já viu um episódio de uma série policial, uma comédia romântica ou até um filme de super-herói, é provável que tenha notado quando personagens estão em casa a comida mais comum em cena é, quase sempre, chinesa ou tailandesa.
Não se trata apenas de uma escolha estética ou cultural. A razão é técnica, prática e, acima de tudo, funcional para o cinema.
Continuidade
No cinema e na televisão, a continuidade é uma das preocupações centrais durante as filmagens. Trata-se da necessidade de manter todos os elementos de cena, como objetos, figurino, luz e gestos, iguais em cada tomada, mesmo que uma mesma cena seja repetida muitas vezes ao longo de horas.
No caso de cenas com comida, isso se torna ainda mais complicado, se um ator dá uma mordida em um hambúrguer na primeira tomada, será preciso repetir exatamente a mesma mordida em todas as outras. E se a mordida variar, o público pode perceber o erro, o famoso “erro de continuidade”.
É por isso que comidas como noodles, arroz frito e curry são preferidas, elas não evidenciam facilmente as mudanças. Diferente de uma pizza, que some fatias, ou de um sanduíche, que muda visivelmente a cada mordida, um pote de macarrão oriental pode ser manipulado, mexido com os hashis e até parcialmente comido sem grandes alterações visuais. Isso facilita a vida da equipe de continuidade.
Comer é um recurso narrativo
Comer é uma das ações mais usadas em cenas de diálogo. Isso porque, do ponto de vista cinematográfico, apenas duas pessoas paradas conversando pode parecer monótono.
Ter os personagens comendo, preparando comida ou lavando a louça introduz uma ação que torna a cena mais natural e interessante visualmente.
Diretores e roteiristas usam esse recurso para tornar as conversas mais críveis, afinal, na vida real, é comum conversarmos enquanto comemos.
E se essa conversa envolve comida que seja fácil de manusear e não precise ficar “reiniciando” a cada nova tomada, melhor ainda.




