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A Serra do Corvo Branco, que liga Urubici a Grão-Pará, atravessa o maior corte em arenito do Brasil e expõe formações geológicas ligadas ao período Arenito Botucatu, antes mesmo da formação dos continentes
O corte na rocha da Serra do Corvo Branco, em Urubici, expõe paredões de arenito com cerca de 90 metros de altura; a formação geológica remonta a aproximadamente 160 milhões de anos / Wikimedia Commons/Josue Marinho
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Uma fenda de cerca 90 metros de altura, que corta a montanha na Serra Catarinense, revela um segredo inusitado: Paredes rochosas, formadas há aproximadamente 160 milhões de anos durante o período da Pangeia, no qual nem mesmo os continentes que conhecemos haviam sido formados. O local fica na Serra do Corvo Branco, trecho da rodovia SC-370 entre os municípios de Urubici e Grão-Pará, no sul de Santa Catarina.
Além da paisagem exótica, a estrada é conhecida pelas curvas fechadas e pela proximidade de precipícios, fatores que fazem o trecho ser considerado um dos mais desafiadores do país para motoristas.
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Seu "corte de serra" - abertura feita para permitir a passagem da estrada entre dois paredões - é considerado o maior corte em rocha arenítica do Brasil, apresentando em torno de 90 metros de altura.
Do mesmo modo, a rodovia integra um trajeto de cerca de 57 quilômetros entre Urubici e Grão-Pará; parte da estrutura ainda conta com trechos estreitos e sinuosos, nos quais curvas de 180 graus exigem atenção redobrada, principalmente em dias chuvosos e neblinosos.
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Apesar do nome da região, a serra não tem relação alguma com corvos. Conforme registros históricos locais, bem como materiais de turismo da região, moradores antigos observaram uma ave de plumagem predominantemente branca, que fazia ninhos em paredões rochosos; portanto, passaram a chamá-la de “corvo”.
A espécie, todavia, consistia no urubu-rei, uma ave de grande porte encontrada em áreas de mata. O erro de identificação acabou se consolidando, dando origem ao nome “Corvo Branco”.
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Com o passar do tempo, o animal tornou-se cada vez mais raro na região, fenômeno associado à baixa taxa de reprodução e à perda de habitat natural.
O trecho sinuoso da rodovia SC-370, entre Urubici e Grão-Pará, é conhecido pelas curvas de até 180 graus e pela proximidade de precipícios, características que tornam a estrada uma das mais desafiadoras do Brasil. Wikimedia Commons/caetano051068Além da paisagem turística, a serra também funciona como um verdadeiro “laboratório geológico a céu aberto”. As rochas visíveis no paredão fazem parte do Arenito Botucatu; essa formação formação sedimentar era depositada por ventos quando a região era apenas um vasto deserto, durante o período de união dos continentes na Pangeia.
Posteriormente, grandes derrames de lava originaram a chamada Formação Serra Geral, estrutura composta por rochas basálticas. O processo explica a presença de faixas escuras nos paredões, sendo estes diques de basalto gerados pelo resfriamento do magma há milhões de anos.
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Curiosamente, o Arenito Botucatu também é conhecido por constituir parte da estrutura geológica do Aquífero Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta.
Outro detalhe visível para quem atravessa o corte é a diferença de umidade entre os lados da rocha: um dos paredões costuma permanecer úmido, enquanto o outro é mais seco. Isso ocorre devido à inclinação das camadas do arenito, influenciando o fluxo de água no elemento.
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Um dos principais turísticos da Serra Catarinense, os pontos mais visitados da Serra do Corvo Branco incluem:
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No parque turístico Altos do Corvo Branco, localizado a cerca de 1.380 metros de altitude, visitantes podem acessar mirantes com vista panorâmica da serra e do litoral catarinense, durante dias de céu limpo.
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A paisagem combina formações rochosas antigas com áreas preservadas de mata, atraindo visitantes em busca de trilhas, mirantes e geoturismo. Wikimedia Commons/EDI GALVANI ULIANOFrequentemente, a rodovia SC-370 passa por obras de pavimentação e melhorias de infraestrutura. De acordo com a prefeitura local e o governo estadual, o projeto de asfaltamento já superou 60% de execução e recebe investimentos estimados em cerca de R$ 60 milhões.
No período de intervenções, o trânsito em alguns trechos funciona em sistema de controle, podendo sofrer interdições temporárias.
*O texto contém informações dos portais Correio Braziliense, G1, Guia Santa Catarina, Urubici, Turismo Grão Pará e Altos dos Corvos Brancos
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