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O que você faria com R$ 30 milhões? Jovens acham diamante raro, mas não recebem esse valor

O diamante, de pureza e tamanho excepcionais, prometia ser o passaporte para uma vida de luxo e liberdade

Fábio Rocha

Publicado em 18/01/2026 às 10:33

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Jovens retiraram da terra uma pedra que qualquer joalheria do mundo consideraria um tesouro absoluto / ImageFX

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A sorte e a frustração caminharam juntas em uma mina na região de Koyadu, em Serra Leoa. Komba Johnbull e Andrew Saffea, ambos de 16 anos, retiraram da terra uma pedra que qualquer joalheria do mundo consideraria um tesouro absoluto.

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O diamante, de pureza e tamanho excepcionais, prometia ser o passaporte para uma vida de luxo e liberdade. No entanto, o brilho da descoberta foi rapidamente ofuscado por uma divisão de lucros que muitos consideram injusta.

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Do chão da mina ao leilão em Nova York

O diamante não demorou a cruzar o oceano. Levado para os Estados Unidos, o exemplar foi o destaque de um leilão em Nova York, onde foi arrematado pelo joalheiro bilionário Laurence Graff por US$ 6,53 milhões (aproximadamente R$ 36 milhões).

Enquanto o mundo da alta joalheria celebrava a aquisição, a expectativa dos jovens mineradores aumentava. Eles acreditavam que o acordo firmado com o dono da mina, o Pastor Momoh, garantiria uma fatia justa daquele montante milionário.

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A realidade dos "67 mil euros"

A decepção veio em forma de números. Apesar do valor astronômico da venda, cada adolescente recebeu apenas 67 mil euros. Embora seja uma quantia significativa para a realidade local, o valor representa uma fração ínfima, quase irrisória, do preço final pago pela joia.

Sem estrutura jurídica ou apoio para contestar o pagamento, os jovens seguiram caminhos distintos com o que lhes foi entregue:

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  • Komba investiu em uma residência na capital, Freetown.

  • Andrew decidiu abandonar o país, buscando uma vida nova trabalhando em estábulos no exterior.

Filantropia ou Exploração?

O dono da mina utilizou parte do lucro restante para financiar obras sociais, incluindo a construção de uma escola na aldeia e investimentos em infraestrutura comunitária. Entretanto, o gesto não silenciou as críticas internacionais.

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Especialistas e ativistas de direitos humanos apontam que projetos sociais, embora necessários, não justificam a privação do lucro individual de quem efetivamente realizou o trabalho pesado.

O caso reacendeu o debate global sobre a ética na mineração de pedras preciosas e a vulnerabilidade de jovens trabalhadores que, mesmo encontrando fortunas sob seus pés, continuam distantes da verdadeira riqueza que produzem.

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