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O mistério da mulher que cuida dos pacientes na Santa Casa de Santos sem trabalhar lá

Sempre caminhando de maneira serena, ela busca e dá amparo aos doentes mais aflitos

Jeferson Marques

Publicado em 09/01/2026 às 13:53

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Sempre serena e de passos leves, a mulher dá conforto aos pacientes com mais dor / Imagem ilustrativa criada por IA/Gemini

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A Santa Casa de Santos não é apenas o hospital mais antigo do país em funcionamento, fundado em 1543. Entre seus corredores históricos e arquitetura imponente, circula uma lenda que desafia o ceticismo de médicos e arrepia a espinha de pacientes há décadas. O relato é quase sempre o mesmo: no silêncio da madrugada, uma figura serena, vestida com o hábito antigo das Irmãs de Caridade, surge para confortar quem sente dor.

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O que parece um ato de misericórdia, no entanto, transforma-se em choque na manhã seguinte. Ao descreverem a bondosa freira que administrou remédios ou arrumou os travesseiros durante a noite, os pacientes recebem um olhar incrédulo da equipe de enfermagem. A resposta é sempre a mesma: não há freiras trabalhando na ala durante a madrugada há muitos anos.

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O relato que se repete

A lenda da "Freira da Santa Casa" ganhou força especialmente nos anos 80 e 90, mas relatos recentes continuam surgindo em rodas de conversa na Baixada Santista. A descrição da entidade é detalhada. Ela não flutua nem atravessa paredes; ela caminha. Veste um hábito branco engomado, característico das vicentinas que atuaram no local no século passado, e possui um semblante de paz absoluta.

Diferente de histórias de terror onde o objetivo é assustar, esta aparição tem um propósito claro: o cuidado. Há casos de pacientes febris que juram ter sentido uma mão gelada na testa, seguida de uma melhora súbita. Outros afirmam que ela apenas senta ao lado do leito, em vigília silenciosa, até que o doente consiga adormecer.

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Mistério nos corredores antigos

Para os mais céticos, a explicação está na confusão mental causada por medicamentos fortes ou febre alta, misturada à atmosfera gótica e antiga do prédio da Santa Casa. O hospital, com sua capela e vitrais, preserva uma aura que facilita a imaginação. Além disso, a história da instituição está intrinsecamente ligada à igreja católica, o que alimenta o imaginário popular.

Porém, o que intriga funcionários mais antigos — que muitas vezes evitam tocar no assunto — é a precisão dos detalhes. Como pacientes que nunca ouviram a lenda descrevem a mesma vestimenta, que já não é usada pelas religiosas atuais? Coincidência ou memória residual de um lugar que viu séculos de sofrimento e cura?

A identidade de Araceli

Para os moradores mais antigos e devotos, a figura tem nome e sobrenome: Irmã Araceli. Trata-se de uma personagem real da história do hospital, uma jovem freira que faleceu precocemente na década de 1930. A história conta que Araceli morreu vítima de uma infecção, contraída justamente enquanto cuidava incansavelmente dos enfermos durante uma epidemia. Sua dedicação extrema em vida consolidou no imaginário popular a crença de que ela jamais abandonou seu posto, continuando sua missão de caridade mesmo além da morte.

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Fé ou alucinação?

A Santa Casa, por sua vez, foca em sua excelência médica e não comenta oficialmente lendas urbanas. Mas para o povo de Santos, a "Irmã Fantasma" já faz parte do patrimônio imaterial da cidade.

Seja um espírito preso à sua missão eterna de caridade ou apenas o fruto da mente humana buscando conforto na hora da dor, a história da freira serve como um lembrete. Mesmo nos momentos mais solitários de uma internação, a crença popular sugere que, em Santos, ninguém está verdadeiramente sozinho nos corredores da Santa Casa.

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